domingo, 12 de dezembro de 2021

Crônica.

 



FIM DE ANO.


   Estamos no último mês do ano, finalmente! Que venha logo 2022, e que traga boas novas. Esse é o meu desejo, certamente é o seu também, de todos aliás. Mas... Vamos refletir um pouco...

Todos os fins de ano são iguais, não é mesmo, desejamos um próximo ano cheio de novidades agradáveis, que nos faça feliz, que nos traga alegria, bonança, saúde, enfim, repetimos os pedidos dos anos anteriores. Sem percebermos fazemos as mesmas preces ao final do ano, não mudamos nem as palavras de nossas petições, é queremos que tudo mude e seja novo quando nós não somos a expressão da mudança. Estou dizendo isso não somente do que eu vejo por aí, mas também, daquilo que eu sou em todos os anos anteriores, quero uma mudança que não consigo ter.

   Esse ano passou como uma sombra, tão rápido que nem o notamos, acontecimentos extraordinários romperam despercebidos, decisões foram tomadas, porém, somos lerdos demais para lembrarmos do que nos aconteceu na semana que passou, o que se dirá do que aconteceu no decurso do ano. É espantoso como nós somos desligados de tantas coisas importantes que ocorreram no cenário brasileiro.

Não há muito o que se dizer, esse foi outro ano de luta contra o 'tal vírus', embora boa parte da população esteja vacinada, o perigo continua grande. Países da Europa e Ásia registraram aumento nos casos, devido a uma nova variante, por nome de 'Ômicron'. São tantas as variantes que nem sei mais se é o mesmo vírus... Lá fora, as portas estão se fechando, restrições voltam à tona, o medo é o pior dos vilões.  Por aqui a única preocupação são as festividades de fim de ano, preparação para o Carnaval, muitos projetam um ano que ainda nem chegou. Essa é a verdadeira preocupação em terras Brasileiras.

Ninguém está preocupado com as movimentações políticas, religiosas, sociais... Tudo bem que, cada um procurou fazer o que achava que deveria ser feito; leis que são criadas, ensinamentos difundidos, comunidades com projetos de inclusão, enfim, cada indivíduo dentro de sua competência buscou o melhor dele para si e para o outro, na intenção de construir um novo mundo ...

Até que ponto isso funciona de verdade?

O pensamento de muitas pessoas com relação aos seus semelhantes, 'humanos', era de uma profunda mudança depois de sermos esfacelados por esse vírus, no entanto, a realidade tem se mostrado diferente. As relações pessoais estão cada vez mais ásperas, difíceis, duras de se lidar. Na tentativa de compreender a presente sociedade, ficamos confusos, incertos. Vemos atitudes horrendas em cidadãos, antes considerados 'nobres'... Fica aquela sensação de incapacidade. Mesmo quando tentamos ajudar, na melhor das intenções, raramente somos 'aceitos' - não era exatamente essa a palavra que eu usaria, mas 'aceito', se encaixa melhor ao termo.

Qual aprendizado tirarmos de tudo isso?

Nos bairros, cidades, a vida propriamente dita, não deve ser individualista. 'Eu', tenho que ser para o próximo como sou para mim mesmo. É um ensinamento básico, humano. Temos que praticar o bem, plantar boas ações para obter bons frutos. Mudando o nosso interior mudaremos o mundo. 

Estamos no último mês do ano, ainda está a tempo de fazer a diferença, e não de sermos iguais aos anos que se perderam..

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

ARTIGO.

 



A TIRANIA DO RELÓGIO.


Como anda o seu tempo? Talvez as 24 horas não estejam sendo o suficiente para você fazer tudo quanto desejaria, e se o dia tivesse 36 horas ou mais, seriam o suficiente?


Para muitas pessoas a resposta dessa pergunta ainda seria não, acontece que nos dias de hoje, a nossa vida gira em torno dos ponteiros do relógio, do instante em que acordamos ao anoitecer. O dia passa com uma velocidade assombrosa, quando menos percebemos ele já se foi, e metade das coisas que tínhamos para fazer ficava para trás. Quem nunca passou por isso, se programou com vários compromissos no decurso do dia, mas… Na metade dele, acontece aquele temido imprevisto, que finda com sua tão bem elaborada programação, tanto que, por mais esforço empregado para ordenar tudo, é ainda insuficiente, o seu dia se transforma em um caos. É a tirania do relógio te impondo o peso do tempo. Todos nós, pelo menos uma vez na vida, passamos por situações semelhantes.


Somos prisioneiros do tempo, acorrentados aos ponteiros do relógio, encarcerado entre um tic e um tac. Analisando o que acontece com o nosso tempo tão sem tempo, veremos que, o tempo em si não influencia em nossas vidas; ele é praticamente nulo, embora pareça absurda a ideia, na verdade somos nós, com as nossas atitudes desfavorecendo o nosso próprio tempo. Em outras palavras, criamos os nossos próprio monstro, e o alimentamos muitíssimo bem com a nossa carga diária de afazeres acumulados e a nossa pressa e impaciência em executá-los, rotina que nunca diminui e tem a tendência de aumentar gradativamente, esses são os nossos ingredientes para falta de tempo. É interessante vermos que de maneira nenhuma conseguimos fazer menos coisas, sempre estamos a acrescentar um ou outro compromisso a mais em nossa agenda já apertada. Tentamos certos malabarismos com o nosso tempo, na falha tentativa de obter sucesso, por fim, o dia parece ser pequeno para tantas coisas.


Antigamente, permita-me dizer assim, a impressão que fica em uma análise breve, tendo como base a vida dos meus avós, é que o tempo não parecia fazer muito efeito em suas vidas. A sociedade daquela época, mais especificamente a rural, parecia viver indiferente à tirania do relógio, vejo nisso, um tempo sem os seus efeitos colaterais tão ameaçadores como nos dias de hoje. Os meus avós tinham os seus muitos compromissos, meu avô materno era administrador de uma grande fazenda, tudo o que acontecia ali passava por suas mãos, era uma grande responsabilidade, mas em momento nenhum meu o meu avô era visto estressado ou preocupado com alguma coisa que não foi feita, segundo relatos daqueles que trabalharam e conviveram com ele. Meu avô sempre executou suas tarefas de acordo com o tempo que ele tinha disponível, caso alguma tarefa não fosse concluída, ele não se irritava. Diferente dos dias hodiernos, quando ao depararmos com um compromisso não feito, logo nos vemos em total desespero em imaginar que aquilo ficará para o próximo dia, uma vez que os compromissos já agendados sofrerão a pressão daquele que acumulou. Isso amigos, é a tirania do relógio, nos moldando e nos levando a uma quase loucura.


No ano de 2001, a editora ultimato, lançou um livro de 144 páginas por título de; " Livres da tirania da urgência." O seu autor era Charles Hummel. Neste livro vemos uma abordagem ampliada e atual do clássico livro, " A tirania do urgente''. `` - Com mais de 1 milhão de exemplares vendidos - O autor mostra o ensinamento bíblico sobre a administração do tempo, e oferece ao leitor ilustrações e dicas práticas sobre como fazer a diferença entre tentar administrar o " Tempo " e administrar a " Vida ". Um dos grandes vilões do tempo é o advento tecnológico e as mídias sociais, tendo por exemplo o Whatsapp e o Facebook, entre outras mas, também de grande importância. Essas tecnologias não existiam na época de nossos avós, motivo que, o tempo delas eram tão bem administrados e não tinha desperdício, mas neste mundo de hoje, tecnologia é o coração da sociedade, que não sabe mais viver sem ela.


Para se ter uma ideia, a pesquisa " Futuro digital em foco Brasil 2015" ( digital future focus brazil 2015 ) , divulgada pela consultoria conscore, mostra que os brasileiros são líderes no tempo gasto nas redes sociais. A nossa média é 60% maior do que a do resto do planeta, logo atrás do Brasil vem as Filipinas, Tailândia, Colômbia e Peru. Simplesmente nós brasileiros gastamos 650 horas por mês em redes sociais. O segundo lugar ficou com os portais de notícias e entretenimento, com 290 horas. O Facebook ( sempre ele ) é a maior rede social em número de visitantes únicos, são 58 milhões, o que representa um alcance de 78% do total de usuários no Brasil. A tirania do relógio está muito presente em nosso dia a dia, mas a culpa não é do tempo em si que encurtou, nós encurtamos o nosso próprio tempo, desperdiçando-o com tantos atrativos que existem por aí cada vez mais chamativos. As tendências parecem apontar para uma tirania ainda mais tirânica, por assim dizermos. A cada dia, a cada nova tecnologia, somos levados a um estresse altíssimo, justamente devido a falta de tempo mediante ao acúmulo de tarefas e compromissos. Buscamos inúmeras soluções que nunca funcionam, terapias, yoga, entre outras, no entanto, o mais simples a se fazer, é o que justamente ninguém quer; " Deixar de lado Whatsapp e o Facebook" considerando que essas mídias sociais nos consomem 650 horas por mês, seria uma inteligente solução diminuir esse número pelo menos na metade, enquanto isso não é feito, sofreremos com a tirania do relógio.


Tiago Macedo Pena




domingo, 28 de novembro de 2021

Crônica de Domingo.

 


TEMPOS DE INCERTEZAS.



  Vivemos tempos de incertezas, preços absurdos nos mais diversos setores. Itens da cesta básica tiveram reajustes exorbitantes,  calculada pelo Procon-SP, composta de 39 itens de alimentação, limpeza e higiene pessoal. O grupo de alimentos, que compõem a maior parte da cesta, foi de R $928,87 em junho para R $932,60 em julho, uma alta de 0,40%. O café teve a maior alta, 10%; arroz, feijão, e outros itens que também tiveram alta. 

A carne, por exemplo, foi uma das que mais subiram, fazendo os brasileiros migrarem para outros tipos de mistura, como frango e porco - que também tiveram reajustes - todos esses produtos tiveram alta puxados pelos constantes reajustes nos combustíveis. Considerando que toda produção brasileira é transportada por caminhões movidos a diesel, é de se esperar uma inflação a níveis nunca antes visto.

   Essa não é uma realidade exclusiva do Brasil, países europeus também sofrem e se queixam dos mesmos problemas. Não é somente por aqui a alta no petróleo, por lá se observa tendências muito semelhantes às nossas. Culpar o comandante da nação por tudo de errado não é a saída. Temos que encontrar soluções rápidas e a curto prazo. O Brasil é um país de grande potencial, temos terras e água, e condições de abastecer as prateleiras do mundo todo, o que não conseguimos ainda é capacidade e competência governamental para fazê-lo. É preciso muito mais investimento, apoio aos pequenos produtores, incentivos fiscais, menos pedágios, ferrovias melhores, de norte a sul do país, facilitando o escoamento de produtos tanto dentro como fora dele. 

   Está se tornando cada vez mais comum ver menos produtos em nossas compras no carrinho de supermercado. O que antes se fazia em abundância e em um único lugar, agora é aos pingados, aqui e ali, uma peregrinação por preços e condições melhores. Embora, colocando na ponta do lápis, não há muita diferenciação. O que se economiza em determinados produtos gasta-se no combustível para se deslocar aos outros pontos mais baratos. No final, a conta do brasileiro será sempre maior do que ele havia calculado inicialmente. Não tem para onde correr. Como diz o refrão de uma antiga canção, " Se correr o bicho pega e se ficar o bicho como ".

   Creio que a tendência, por momento, é de um leve aquecimento no setor financeiro devido às compras de fim de ano, mas, não devemos nos animar tanto com essa leve curva ascendente que, provavelmente terá outra logo no início do ano de 2022, uma ligeira queda devido as contas penduradas do ano anterior. A não ser que tenhamos um milagre financeiro para salvar a pátria, o que é difícil de acreditar.

   São tempos de complexidades, opinar está se tornando perigoso, dependendo do que se fala é  até crime. Não dizer nada acaba sendo a melhor resposta. Temos ainda o fantasma que nos assolou por dois anos, ele ainda está por aí, com novas variantes, não acabou, embora muito esteja se fingindo de desentendidos, o pandêmico monstro não desiste nunca. Somos apenas um barco nesse oceano de incertezas.


( A. L )


O ESPELHO.

                  Do lado de dentro o vento está rugindo furioso, saindo para o lado de fora pelas frestas da janela.            Do lado de ...