A dor é intensa e pulsante dentro da alma, nada do que digam ou façam ajudará contê-la, é simplesmente aterrorizante o que estou sentindo, eu queria muito lhes explicar, porém, o meu coração está desfigurado, feito em mil pedaços. Às minhas incessantes lágrimas beijam a terra nua, e tal beijo reflete a vontade de desaparecer para todo o sempre.
Eu sei que gritar não adianta, nada do que eu faça me ajudará, aliás, sou o meu próprio fundo do poço, o ápice da minha derrota. Quisera eu ser como as pessoas que me cercam, ter uma vida normal, tal como meus compatriotas, todos perfeitos, contudo, em nada me assemelho com "os normais". Talvez a inexistência me caia bem daqui por diante, estou plenamente convencido e sem dúvidas volto a lhes dizer que minha voz deverá ser silenciada.
Eu penso na dor existencial, na sua concepção,
na dor que move minhas entranhas dia após dia, noite após noite, entre horas e minutos de um tic a um tac, por muito tempo tentei inutilmente compreender-me, tolo que fui em acreditar que seria capaz de tal prodígio, haja vista ser um pródigo alcançar a compreensão de si mesmo. Há dias, e esses são tão raros quanto o ouro, dias de felicidades e sorrisos quase largos estampados na face, no entanto, assim como nuvens passageiras é o meu pálido sorriso, e novamente a dor se faz presente na tábua do meu coração. Se eu fosse lhes contar todos os pormenores do projeto a poeta que vos escreve... Certamente que ficaríamos horas inteiras falando, são inúmeras as histórias de meus fracassos. Estou me convencendo que realmente o silêncio me define muito bem, afinal, sou eu um nada feito de mentiras e mistérios cercados de insignificâncias.
O mundo caminha a passos largos, à beira do abismo e ninguém está percebendo o perigo iminente. A maioria anda sem nenhuma atenção pelo abismo, não importa o que aconteça ao redor, nada importa. Talvez eu seja alguém fora do perigo dos outros, porém, caminho a passos largos e vacilantes tão mais próximo do meu próprio precipício, estou ao ponto de cair e não há quem possa me socorrer. Quando essas percepções alcança meu vago intelecto, o coração se desespera gritando e chorando querendo arrebatar-se inteiro dentro do meu peito. Novamente as lágrimas teimando em nascer, os meus olhos choram a derrota mais do que certa, tenho apenas que observar a minha decadência pessoal e o fim.
O meu sincero desejo de fazer compreensível minha dor, torná-la entendível por meio das minhas palavras escritas, se possível for, fazê-la tal quase a ser palpável, criar uma anatomia desse sentimento tão complexo. Embora eu procure exaustivamente pelas palavras, prospectando no mais profundo da minha alma, os dizeres desse relés rabisco não explicam nada, por mais belas que pareçam as minhas palavras são ventos soltos e sem destino. Às vezes, para não dizer que em todos os momentos da vida, sou completamente introspectivo e melancólico, os meus dias são feitos de noites inteiras sem fim e eternas. Não gosto de escutar o som do meu próprio coração, cada batida é um terrível infindo de dor e lamento, nada faz sentido, sou alguém sem perspectivas.
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