Do lado de dentro o vento está rugindo furioso, saindo para o lado de fora pelas frestas da janela.
Do lado de fora, o silêncio, quieto e contemplativo na própria solidão, observando as quimeras do pensamento.
Quem é?
Pergunta para si mesmo quem é o ser degenerado, enquanto do lado de dentro o vento sopra cada vez mais furioso.
É necessário olhar para dentro, no âmago de si mesmo, talvez assim consiga enxergar o lado externo. Nem sempre o que está descrito no rótulo condiz com o conteúdo, então nos confundimos e ficamos sem saber se a verdade está no oculto lado de dentro ou na aparência externa.
O reflexo no espelho…
A imagem refletida de alguém que se olha por muito tempo, estudando as suas feições sem nada dizer. Alguém tentando entender quem realmente é nesse mundo caótico, buscando a compreensão da sua natureza em meio a complexa natureza humana.
É preciso olhar para dentro, olhar para o espelho da própria alma, ver o que será refletido de si mesmo, se esse rótulo expresso na curva dos lábios condiz com o que está escondido no interior, ver se a verdade se oculta do lado de dentro ou se está fora.
A imagem refletida é de alguém que se descobre com regozijo ou de quem se esconde por medo?
Corpos e formas não moldam alma e corações. Às vezes, a fraqueza se disfarça querendo se parecer com a força e a feiúra se veste com as roupas da beleza.
É preciso escutar o silêncio para ouvir a própria voz. Nem sempre a natureza humana vai nos sorrir, às vezes, ela vai nos esbofetear, então sentiremos dor sem saber onde dói, choramos sem saber de onde surgem as lágrimas.
O reflexo no espelho…
A janela da alma foi aberta pela fúria do vento, está chovendo do lado de dentro, molhado tudo do lado de fora. Não é sobre quem ele é ou quem ele foi, e sim no que se tornou. O espelho nunca mente, mostra o exato reflexo do que é revelado.

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