sexta-feira, 1 de outubro de 2021

MENSAGEM.

 A ENTREVISTA.


( Apocalipse 20:10 ) 

E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.


─ Olha... Eu queria te agradecer por essa oportunidade de te entrevistar, o senhor sabe o quanto isso é importante para mim. 


─ É... Eu sei, mas seja rápido, sou uma pessoa muito ocupada. 


─ Então… Eu tenho só algumas perguntas aqui, e vou usar um gravador para... 


─ Não... Eu prefiro que você não grave. 


─ Tá bom, tudo bem, eu não vou gravar. 


Sem que ele percebesse, deixei o celular com o gravador ligado, dentro do bolso esquerdo da minha camisa. 


─ Vamos começar então… Minha primeira pergunta é, quem é você? 


─ Esta não é uma pergunta simples de responder, na verdade, eu tenho várias faces, sou rebelde, filósofo, idealista, inventor, o primeiro e maior líder político que já existiu. 


─ A sua aparência é um pouco diferente da que eu imaginava, minha pergunta é, como você realmente é? 


─ Você esperava alguém com um tridente e uma capa vermelha, rabo e chifres? Eu não sou como vocês seres humanos, que estão presos a esse corpo material, pertenço a outro plano de matéria, e posso me apresentar da forma que eu quiser. Posso aparecer como anjo de luz, como fantasma, como uma tentação, ou... Como um este ser humano que bens pode ver. 


─ Posso lhe fazer uma pergunta ousada… Qual é a sua idade? 


─ Você já ouviu aquela música, de alguém que diz ter nascido a dez mil anos atrás... Pois bem, esse alguém sou eu. 


─ Como eu posso saber que você não está mentindo, você não é o pai da mentira? 


─ Você anda lendo a bíblia meu rapaz? 


─ Não... Não senhor. 


─ É... Eu sei que não, foi apenas uma pergunta retórica. As pessoas aumentam um pouco as coisas a meu respeito, a maior parte das coisas que digo é verdade, discernir entre a verdade e a mentira, entretanto, compete a vocês humanos, vocês é quem escolhem o que querem acreditar. 


─ Qual a sua origem? Assim, de onde você veio? 


─ É uma longa história, mas você é um cara inteligente, basta dizer que nós dois somos filhos do mesmo pai. A milhares de anos atrás, eu ocupava um cargo muito importante, uma posição de destaque, então eu quis ser o chefe, fiz minha campanha, você sabe... Política, mas acabou não dando certo, por ter quebrado todas as regras eu e meus aliados fomos expulsos de nosso lar, e, acabamos aqui, na terra. 


─ Significa que existem outros iguais a você aqui? 


─ Tantos, mas tantos, que você nem imagina, milhares de milhares. 


─ E qual é o seu maior trunfo? 


─ Fazer as pessoas acreditarem que eu não existo, afinal, ninguém se preocupa com um personagem folclórico. 


─ E qual o seu maior inimigo? 


─ O filho... Mas eu não quero falar sobre isso. 


─ Qual é o seu maior sonho? 


─ Ser adorado por todas as pessoas, como deus deste mundo. 


─ Você acha mesmo que as pessoas te adoram como deus? 


─ Elas já o fazem, muitos pensam que adoram a Deus, mas adoram do jeito que elas querem, ou então, adoram as coisas que eu inventei, mas nem todos são assim, tem um povo especial... Que é difícil... Mas continue, não quero falar sobre eles. 


─ E quais são as suas estratégias para conseguir essa adoração? 


─ Veja só, essa adoração nem sempre é explícita, basta que alguém se afaste um pouco da verdade, e pronto, automaticamente se torna meu servo. 


─ Mas como assim, especificamente? 


─ Eu tenho uma abordagem diferente para cada tipo de pessoa, primeiro, preciso saber o seu ponto fraco, daí então, a uns forneço glória e poder, isso resulta em morte, miséria, destruição. Aos pobres eu ofereço crendices, depravação, ignorância. Aos ricos eu levo luxo, vaidade, lascívia. Os intelectuais são seduzidos pela soberba, concluindo que Deus não existe, só porque não conseguem explicá-lo com sua limitada ciência, assim, acabam adorando a criatura em lugar do criador. E vícios, muitos vícios, esportes, novelas, games, trabalhos e drogas, no final, todos ficam ocupados demais para buscarem as coisas de Deus. E a maioria das pessoas se vendem por tão pouco. 


─ Como você consegue fazer tudo isso? 


─ Isso é um pouco difícil de explicar, eu não tenho acesso aos pensamentos humanos, mas sou muito observador, posso prever as atitudes das pessoas pelos seus atos, palavras, e reações. Veja... Ninguém rouba por acaso, ele passa um dia em frente a uma vitrine, olha, comenta, demonstra interesse, então eu crio a oportunidade, a situação, alguns chamam isso de tentação. Além do mais, eu posso manipular os elementos desse mundo a meu bel prazer. E por não pertencer ao mesmo plano de matéria que vocês, não estou limitado pelas mesmas leis físicas. Para mim não existem paredes, posso viajar mais rápido que a luz, e reproduzir com perfeição a voz de qualquer pessoa que já viveu sobre essa terra, imitação ,aliás, é um dos meus truques preferidos, quase todo mundo cai. 


─ E criar coisas, você consegue? 


─ Eu não posso criar a vida, sorte de vocês, mas consigo manipular átomos e moléculas, de modo a causas o maior estrago possível, as pessoas e coisas. 


─ E o que você mais odeia? 


─ O perdão, o arrependimento, a reconciliação, os joelhos dobrados em oração, famílias unidas, a bíblia, a lei de Deus, e o seu povo aqui na terra. 


─ Pelo o que eu pude perceber, você é mesmo poderoso, você tem medo de alguma coisa? 


─ Do meu futuro, em breve, aquele que eu crucifiquei vai voltar para essa terra, e acabar com o meu domínio, eu sei que não vai ter saída, que depois, eu vou ser destruído, é por isso que eu tento arrastar o maior número de pessoas comigo, essa é a única maneira de ferir o coração de Deus. 


─ Você comentou que em breve o seu domínio vai acabar, você tem ideia de quando isso vai acontecer? 


─ Agora chega rapaz, eu já revelei mais do que eu deveria para você. Fim da entrevista. 


( texto baseado em um vídeo que recebi recentemente, dado o teor de sua importância, eu quis reproduzi-lo aqui no blog, por meio de diálogo. )


domingo, 26 de setembro de 2021

Crônica.

 O QUE FAZER?


As manifestações a favor do presidente lotaram a avenida Paulista no último feriado, ruas repletas de manifestantes, camisas verde e amarelo, rostos pintados, pedidos que refletem a vontade do povo. A suprema corte foi o alvo nos dizeres em diversos desses cartazes. O desejo daqueles que lá estavam é que o governante tomasse decisões duras contra os outros poderes e seus respectivos representantes, cogitando até mesmo usar a força militar para tais atos. Uma boa parcela da população acreditou que alguma coisa de extraordinária aconteceria dentro daquilo que era o clamor da maioria presente. Houve por partes dos que defendem o presidente que aquele seria o dia "D" para mudar o que parece não ter mais solução.

A oposição também fez atos contra o governo, pedindo o impeachment do presidente, no domingo, 12, na avenida Paulista. Agitações de lideranças com direito a danças  e discursos contrários, enquanto parte do grupo proferia xingamentos. Não era um número tão expressivo de pessoas como no feriado.

Na fala contrária, afirmações do tipo, “quem tem medo da verdade não respeita a democracia” e pedidos de união das diferentes correntes ideológicas. Além do Governador do estado mais rico da nação, outros quatro, também presidenciáveis, participaram da manifestação contra o presidente. Nada aconteceu para nenhum dos lados... Os militares não arrombaram as portas da suprema corte para levá-los como muitos desejavam, tão pouco tomaram as rédeas da governança. Em contrapartida, impeachment, parece improvável no momento, não que seja impossível, no entanto, parece haver falta de vontade para colocá-lo em prática. Sempre aparece uma coisa e outra, a questão aqui é ali que impede de acontecer. É puro jogo político, essa é a realidade.

A verdade é que estamos longe de resolver a gravíssima situação do país, fala-se tanto, faz-se pouco, um oceano de palavras para um riacho de atitudes. Enquanto isso, pagamos o preço, 'literalmente', carne, combustíveis, luz, possíveis crises vindo a galope. 

O que fazer?

Alguém vai dizer que com o voto podemos mudar essa situação... Será mesmo? Essa mudança no voto já foi feita e refeita, veja bem, colocaram esse é aquele, e a coisa continua ladeira abaixo. Me parece que o problema não está na unidade, em 'um' apenas. O problema sempre esteve no 'todo', naqueles que criam leis e as aprovam. Não adianta ter boas intenções se você não tem o apoio de seu parlamento para pôr em prática. Da mesma maneira não adianta agradar o parlamento cedendo as suas vontades egoístas. Do jeito em que está realmente fica difícil qualquer coisa. Não vejo soluções a curto prazo, talvez, com um milagre extraordinário, tenhamos o Brasil dos nossos sonhos. Para que isso aconteça sem a intervenção milagrosa, teremos que saber diferenciar as coisas, e não enxergar apenas 'direita e esquerda', mas, sermos bem mais humanos, humildes. Há pessoas que neste momento em que escrevo essa crônica não tem o que colocar na mesa no dia de amanhã. Não é a esquerda ou direita  detentora da salvação... A solução está na justiça e integridade de caráter de cada membro que com a sua atitude e virtude compõe a totalidade governamental do país de caráter limpo.


( A.L )


sábado, 18 de setembro de 2021

Crônica.

 NÃO SEI…


Não sei… É uma maneira incomum de se começar uma crônica, eu bem sei amigo leitor, que haverá outros textos bem mais interessantes do este em que os seus olhos pousaram, mas, permita-me explicar o motivo do, “Não sei” que deu início a nossa, por assim dizer, conversa. Sem mais delongas, vamos lá.

Cheguei do trabalho às dezessete e trinta da tarde, em ponto, cansado, pés e pernas doendo, o sol lentamente caindo no horizonte, ruas sem muito movimento, nenhuma novidade nisso. Como eu estava dizendo, cheguei cansado, nem bem terminei de abrir o portão e fui recebido por minha filha. Dessa vez ela não estava com um sorriso alegre no rosto. Pelo contrário, estava com os olhos miúdos e cara de bolacha, de imediato perguntei:

─ O que aconteceu minha filha?

A resposta foi rápida, certeira, direto no alvo.

─ Tédio…

Eu não lhe respondi mais nada, ela entrou em casa e foi direto para cozinha, ficou andando de um lado para o outro, inquieta. Enquanto eu tirava a marmita da minha mochila, arrumando uma coisa e outra, fiquei observando sua fisionomia pesada. A minha filha tem dez anos, não era para ela ter 'tédio', isso não combina com sua idade, mas… Os tempos são outros. Na minha época de criança, aos dez anos, eu nem sabia o significado da palavra 'tédio'. Eu queria mais era brincar e correr. Fazenda, liberdade, nada dessas modernidades de hoje em dia. Como eu disse anteriormente, os tempos são outros.

Fui tomar café, conversar um pouco com minha esposa antes de ir para o banho. Lá estava minha princesa, com a mesma cara emburrada, andando de um lado para o outro. Retornei para cozinha após o banho, minha filha estava na sala, no computador, continuava com a mesma fisionomia triste. Foi nesse momento que comecei a compreender toda a coisa, ela estava com o meu computador, jogando roblox, o seu jogo favorito, que, sinceramente, não vejo graça. Lancei outra pergunta:

─ Filha, porque você não está jogando em seu micro?

─ Ah! Pai… O meu micro está ‘bugando’ muito 'bugado', não dá para jogar. Começo e daí já trava tudo…

─ Entendo.

Foi aí que a coisa toda fez sentido. Na tentativa de tirá-la do 'tédio' eu sugeri diversas coisas; ler, escrever, lavar a louça para sua mãe, embora ela tenha lavado alguns copos e pratos, continuava sem um sorriso no rosto. Levantei-me e fui para sala, convidei-a para assistirmos qualquer coisa na TV, ela aceitou. Não estava passando nada de interessante, como o meu computador estava ao lado, resolvi escrever a crônica da semana. Foi aí que a perguntei sobre o que escrever, ela me respondeu na mesma entonação de antes. “Não sei”, eu lhe disse, “Pronto, é com esse seu ‘não sei' que vou começar a escrever" e assim nasceu essa crônica.

Minha filha ficou o tempo todo ao meu lado, acompanhando cada palavra escrita, por vezes rindo, em outros momentos fazendo careta, dizendo "Ah! Pai, não escreve isso não". Acabei por arrancar vários sorrisos de seu belo rosto... Finalmente, dia ganho, crônica escrita, tudo graças ao, 'não sei', seguido do 'tédio' de minha filha.



( T .P )


O ESPELHO.

                  Do lado de dentro o vento está rugindo furioso, saindo para o lado de fora pelas frestas da janela.            Do lado de ...