domingo, 6 de março de 2022

CRÔNICA DE DOMINGO.




                O MONSTRO DA GUERRA.


A primeira guerra foi um marco na história da humanidade. Sendo o primeiro conflito em escala global do século XX. Estendeu-se de 1914 a 1918.  O resultado não poderia ser outro, deixando um trauma em todos, tendo um saldo nas trincheiras ocidentais de 10 milhões de mortos. As causas são complexas, envolvem acontecimentos não resolvidos, rivalidades, tensões nacionalistas, alianças militares.

A segunda guerra mundial teve seu início em 1939 arrastando-se até 1945. Caracterizada como conflito em estado de guerra total, ( no qual há mobilização de recursos para o conflito ). Foram seis anos de lutas sangrentas e muita destruição. Mais de 60 milhões de pessoas morreram, alguns dados apontam para 70 milhões. O estopim foi a invasão da Polônia pelos alemães em setembro de 1939. Nesse contexto de guerra temos um dos episódios mais sombrios da história, que foi o lançamento das bombas atômicas sobre o solo Japonês, nas cidades de Hiroshima e Nagasaki em 1945. Armas nunca antes usadas, lançadas pelos Estados Unidos a fim de forçar a rendição dos Japoneses. Esse absurdo revelou ao mundo até que ponto o homem é capaz de semear a destruição.

Outro capítulo tenebroso do monstro da guerra foi o Holocausto, Especialista trabalham com um número entre cinco a seis milhões de Judeus mortos. Quando o partido nazista surgiu, em 1920, o antissemitismo era um elemento que já fazia parte da plataforma do partido, e os historiadores acreditam que Adolf Hitler tornou-se antissemita em algum momento de sua juventude, quando vivia em Viena, capital da Áustria. A presença do antissemitismo no nazismo, durante sua fundação, era perceptível no programa do partido, que afirmava que nenhum judeu poderia ser considerado cidadão alemão. 

Vejam que todo conflito é descabido e sem sentido, com propósitos e intenções totalmente fora da realidade. As vítimas são sempre os mais fracos, pobres, mulheres, crianças e idosos. Como se não bastasse todas as guerras acontecidas até este momento da história, temos no palco mundial os acontecimentos envolvendo Rússia e Ucrânia. Além de potência agrícola, a Ucrânia tem uma expressiva produção de minérios e carvão mineral, concentrada na região de Donbass, onde há um movimento separatista apoiado pelos russos. Os primeiros ataques na Ucrânia ocorreram justamente nesta região. Sempre há interesses envolvidos que não são exatamente declarados. Com falsos pretextos disso e daquilo, o que ataca sempre domina e usufrui da riqueza do conquistado. 

A história de guerras é muito anterior a todos esses fatos históricos citados e outros que não mencionei aqui. O pai das guerras, no começo das eras, tentou se posicionar na mesma perspectiva de seu criador. ' Subirei aos céus, disse ele, e colocarei o meu trono acima das estrelas em serei semelhante ao altíssimo'. Nesse momento levanta-se Miguel, comandante dos exércitos celestiais e faz guerra com o dragão, a antiga serpente, expulsando- a do céu. Uma vez precipitado na terra, esse monstro da guerra mostrou e ensinou aos homens todas as faces da cobiça, inveja, horror e poder. Embora escolhas sejam dadas, o homem nunca desejou pelo caminho da paz, sempre almejou a luta. Um bom exemplo é o que acontece nesse momento lá fora.






domingo, 27 de fevereiro de 2022

CRÔNICA DE DOMINGO.

 



Talvez.

   Eu sempre gostei de desenho, rabiscava paredes, o chão, cadernos velhos, folhas em branco. Lembro-me do meu primeiro presente, ganhei do meu avô materno, foi uma caneta esferográfica, Bic, vermelha. Naquele dia eu descobri a paixão pela cor vermelha e pelos desenhos. Levei muitas broncas por rabiscar em qualquer lugar. Eu desenhava bonecos desengonçados, casas tortas, árvores monstros, enfim, desenhava tudo do meu jeito, e me achava um artista. As linhas tortas, Os rostos deformados, eram a expressão da beleza na minha ótica. Talvez, se tivesse me esforçando mais, quem sabe eu me tornasse em um grande artista.

Talvez.

   Na época da escola me encantei pelas aulas de filosofia. As aulas eram ministradas pelo pároco da cidade, o padre Francisco. A Filosofia sempre me encantou. Estudar as escolas filosóficas, os grandes pensadores, idéias, conceitos. Durante um bom tempo, antes do término do colegial, quando me perguntavam sobre qual profissão eu queria ter, eu sempre respondia que seria um filósofo. As minhas melhores notas eram de filosofia. Talvez se eu tivesse me esforçando mais, quem sabe eu me tornasse em um grande filósofo. Talvez. Mas... Na estrada da vida tomei caminhos diferentes que levaram para o lado oposto.

   Veja que, nessa mesma época da filosofia, eu me vi inclinado a carreira eclesiástica. Nascia em meu coração o desejo de ser um padre. Comecei a procurar por um seminário, Carmelitas descalços, Franciscanos, Beneditinos, havia muitas ordens que eu pudesse escolher. Por fim, optei por uma ordem religiosa por nome, Legionários de Cristo, em Arujá. Me encantou aquele lugar, toda organização do seminário, todo esplendor e beleza. Estudos, Latim, Grego, filosofia, Teologia, humanidades. Era tudo o que eu queria. Não muito depois iniciei o meu candidatado, que era um período de duração curto. Ao término desse tempo, muitas coisas aconteceram que me forçaram a mudar os planos. Talvez se eu tivesse me esforçando mais, quem sabe eu me tornasse em um grande sacerdote.

Talvez, mas... Havia uma curva na estrada que me fez mudar de rota.

   Uma paixão que percorre em paralelo com todas essas que já citei, é o amor pelas palavras, poesias primeiramente, sendo seguido da prosa. Todas as outras mencionadas anteriormente as considero paixões passageiras. Cada uma teve o seu papel na minha formação e gosto artístico. No caso da literatura, essa, na figura da poesia nasceu de dentro para fora, não é algo que veio de fora. É um tipo de amor difícil de se explicar, que nasce lá dentro. Desde que comecei a rabiscar, ( as primeiras palavras ), a poesia surgiu tímida entre frases curtas, dizeres simples, com o tempo foi ganhando corpo e beleza. Ainda sim, se eu tivesse me esforçando mais, quem sabe eu me tornasse em um grande escritor. Contudo, creio que o tempo ainda me é favorável para realização de muitos sonhos. Alguns citados, a exemplo da filosofia, outros não citados nem mencionados aqui. O talvez presente e constante na crônica não significa estagnação ou desistência de meus sonhos. Para este que vos escreve o talvez tenha um sentido de suspensão momentânea de alguns sonhos, para que no tempo e oportunidade certa tudo aconteça da melhor forma possível.

   Enquanto isso.

   Fico no talvez.




domingo, 20 de fevereiro de 2022

Crônica de Domingo.

              



                         RECORDAÇÕES.


   Quero apenas as lembranças da minha infância, e as ter diante dos olhos como miragens que surgem e depois desaparecem. A simplicidade das coisas é tão mais importante do que as complexidades do mundo, meu olhar é de poeta, só se pode compreendê-lo na perspectiva de uma criança. As pessoas perderam mais do que ganharam. Perderam a inocência, a pureza, deixaram de ver e de sentir. Os seus mundos tem a cor cinza, não há flores e nem pássaros cantando nas janelas. Quisera eu que as coisas que vejo de fora tivessem a grandeza das que mora dentro de mim.

   Quero apenas as lembranças da infância. Fazenda Lindóia, meu reino encantado que já não existe mais. Que saudades tenho de todas as coisas que vivenciei. Que saudades tenho das manhãs e dos passarinhos, do cheiro das flores, do pé de pitanga carregado, o balanço amarrado aos galhos. Tudo ainda está aqui dentro do peito, trancado no cofre da saudade. Quando estou cheio de tudo, me tranco em mim mesmo, pego a chave do cofre escondida no seio da alma e me tranco lá dentro. Passo horas e horas de olhos fechados para mundo e coração aberto para as recordações.

   O mundo é tão cheio de medo, de homens uniformizados, faces carregadas de rancor, cuspindo desaforos e regras sem sentido. E passam o dia desejando a ilusória fumaça do poder. Lutam por um pedaço vil de papel, dão a este papel, mais valor do que as flores. Desejo mais as abelhas do que papéis. O mundo se tornou opressor, sem sentido, caminhando como bêbados em noite escura. Raramente vejo sorrisos, o que se vê são apenas máscaras e homens sem face. Olhares presos em aparelhos de inutilidades. Por isso acredito que tão mais feliz seria se fossemos pássaros do que reis de gaiolas douradas.

    O mundo vive para o trabalho, e o trabalho escraviza o homem. Acordar muito cedo, água no rosto, engolir o café sem ao menos sentir o sabor. Sair como louco, feras na selva de pedra em busca da caça. Autos girantes desgovernados pelas avenidas, sinais, motos, buzinas. O homem deste tempo não encontra mais o seu próprio tempo. Aquele espaço de minuto, ainda que seja pouco, para olhar para si mesmo. A maior riqueza não está do lado de fora, não é o número da nota, nem a marca do carro, tão pouco no cargo que tem na empresa. 

    Quero apenas lembrar da infância, nada mais importa. Desejo ainda o tempo de pescarias, nadar nos ribeirões, correr descalço na terra vermelha, caminhar pelas matas. Quando criança eu passava horas olhando o horizonte em um fim de tarde. O sol deitando atrás do morro, as nuvens em brasas Enquanto nas copas das árvores os pássaros se despediam do dia com sonoras notas harmoniosas. A noite então surgia devagar, escalando o céu, os seres da noite surgiam, e tudo era tão mais belo e grandioso. Agora entendo tudo, o motivo do homem ser convidado a se retirar do Paraíso... Ele preferiu as coisas sem sentido, belezas transitórias e prazeres fúteis do que a simplicidade de uma beleza eterna e de um gozo infinito escondido bem diante de seus olhos.



  


O ESPELHO.

                  Do lado de dentro o vento está rugindo furioso, saindo para o lado de fora pelas frestas da janela.            Do lado de ...