domingo, 14 de fevereiro de 2021

RESENHA.

 



O TESTAMENTO DE ABRAÃO.


   Existem aqueles livros que nos arrebata logo nas primeiras páginas, esse em específico é um deles. Diferente de muitos que já li, as primeiras palavras deste livro prendem o nosso olhar. É de uma simplicidade e beleza poética estonteante, o que por si só, valeria os trinta capítulos que compõem essa obra. O livro aborda o final da vida de Abraão, apresentando o patriarca com o um homem extremamente bondoso - com todos, aliás, ricos e pobres - tal amorosidade como nunca se viu, abrangendo todos os seres humanos, Abraão como todos os mortais, estava destinado a morte, e como esse dia se aproximava, Deus envia o seu Arcanjo Miguel para lhe anunciar que o fim dez seus dias chegava, que era para ele se preparar.

   O anjo que Deus enviou a Abraão o acompanha até a sua casa, o seu filho Isaac, vendo-o, percebe se tratar de um ser celestial.  Miguel, o anjo enviado, confirma para Isaac a promessa feita por Deus a seu pai. Abraão pede ao filho Isaac que prepare uma mesa para ele é o anjo, ambos comem, o anjo sai dali para o céu num piscar de olhos. O anjo se admira diante da bondade e amorosidade de Abraão, não teve coragem de lhe dizer sobre sua morte. O arcanjo retorna a Deus no fim de tarde, para o adorar, pois é costume de todos os anjos assim o fazerem. Miguel fala ao senhor da dificuldade de dizer a Abraão sobre a sua morte, Deus, no entanto, dá a Isaac um sonho referente à morte do pai, para que Miguel lhe dê a interpretação do mesmo. E assim acontece, Isaac adormece e tem o sonho, acorda angustiado e chorando, revela ao pai que sonhou. Sara ao ver a cena, percebe que o visitante em sua casa se trata de um anjo, revelando a seu esposo sobre o fato. Todos percebem que tal visita se trata de alguma revelação do anjo, boa ou ruim.

   O anjo Miguel revela a Abraão do sonho, que ele, Abraão, deve arrumar sua casa, abençoar seu filho, pois sua morte se aproxima. A princípio o velho patriarca fica temeroso, mas o anjo lhe conforta a respeito da inevitabilidade da morte. Abraão pede ao anjo que fale ao senhor, pedindo-lhe permissão, antes da morte, que ele visse os reinos do mundo e tudo quanto há na terra e no céu. Miquel intercede diante de Deus, que por sua vez permite ao seu servo ver os reinos da terra e coisas no céu.

   Abraão é levado por Miguel em uma nuvem, ele então começa a ver os reinos do mundo, toda sua impiedade, sendo justo, questionava o anjo das imoralidades que via. Deus havia dito a Miguel que fizesse tudo quanto Abraão dissesse, e, uma vez, o velho patriarca contemplando tais atrocidade, pedia ao anjo que destruísse aquelas almas atrozes, assim era feito, de sorte que Deus deu ordens a Miguel que mostrasse o reino e mistérios celestiais. No céu lhe foi revelado o mistério da porta estreita e da larga, e do homem no trono, que sorri e chora conforme as almas, após julgadas, entram pelas portas. O homem no trono chora ao ver muitas almas entrando na porta larga, que leva a perdição, mas sorri com as poucas que entram pela porta estreita, que leva a salvação. Abraão é levado por Miguel a outro lugar, e vê o julgamento das almas que ali se apresenta. As que são achadas com máculas e pecados são levadas para os atormentadores( inferno ). Cada alma tem sua vida relatada em livros, onde estão descritos todos os seus atos, bons e ruins, o justo Juiz se vale desses relatos para apresentar para as almas desencarnadas as suas justas sentenças conforme seus atos em vida.

   Terminado de mostrar todas as coisas, o poder de Deus, o julgamento das almas e o seu destino, Abraão é levado de retorno a sua casa, Miguel lhe fala que está na hora de partir dessa vida, que sua hora havia chegado, uma vez mais Abraão se recusa a ir. Miguel retorna ao céu, notifica a Deus do ocorrido, Deus então e via-lhe o anjo da morte para que o traga, porém, o horrendo anjo da morte, com ordens divinas, vestiu-se de beleza e formosura e foi ao encontro de Abraão. A morte se revela ao velho e amado patriarca, revela que foi enviada por causa dele, em determinado momento, a pedido de Abraão mostra-lhe sua verdadeira e horrenda face, revelando ainda os tipos de mortes e a forma que ela, a morte, se apresenta para cada alma. Abraão se recusa a ir, diz que está cansado, a morte pede para que ele toque em suas mãos para ter a suas forças reparadas, era engano da morte, pois ao tocá-lo, sua alma imediatamente se retirou do corpo. Abraão estava morto. Miguel e muitos anjos aparecem para receber a alma de Abraão, que é levada imediatamente ao paraíso de Deus, que, pela vontade do altíssimo, permanecerá lá, para receber naquele lugar de descanso ( agora conhecido como seio de Abraão ) as almas justas daqueles que partiram justificados.

   Belíssimo livro em que descreve o patriarca e amigo de Deus de um modo totalmente diferente.


Crônica.

 




CONFERÊNCIA DOS ANIMAIS.


   Foi convocada em caráter de urgência, uma grande conferência, como nunca antes vista, reunindo incontáveis animais, de inúmeras raças, tamanhos e tipos e países. Todos esses animais se agruparam organizada e civilizadamente, em um local ultra secreto. O acordo de paz assinado por todos os animais assegurou que nenhuma espécie atacaria a outra ou se valeria de sua superioridade física durante o evento. De comum acordo, todos respeitaram a todos, de modo que onças, leões, tigres, cachorros, leopardos, gatos, ratos, coelhos,  esquilos e demais animais estivessem todos juntos sem brigar,  atentos ao pronunciamento que logo mais começaria.

   Quem presidia a prestigiada conferência era o Conde Pluto, um Border Collie de quinze anos. O seu antigo dono era o presidente da maior rede de pet shop do mundo. 

O tema anunciado por Pluto era: " O FIM EMINENTE DE TODOS OS ANIMAIS". Todas as espécies aguardavam com grande ansiedade o início do pronunciamento de Pluto. A maioria dos animais presentes compartilham de algo incomum, eram vítimas da impiedosa 'castração', ação essa, causada insensatamente por seus respectivos donos e criadores. Consternados com a barbárie sofrida e cada vez mais crescente, eles não podiam mais ter descendência, vida oriunda de suas próprias vidas. Se nada fosse feito, em pouquíssimos anos não haveria mais animais na face da terra.

"O homem não é digno de nós", dizia Pluto em determinado momento do discurso, eufóricos, os animais faziam os mais diversos tipos de sons e uivos.

" Dizem que somos irracionais, que agimos por instinto. Agora vejam eles, tão sabedores de tudo, eles matam seus semelhantes por nada, roubam, abusam de menores, criadores de armas capazes de aniquilar a própria espécie… Eles, egoístas, egocêntricos, demoníacos… Ainda dizem que nós é que somos irracionais." Os animais iam loucura a cada palavra de Pluto.

O sábio Border Collie conhecia pela sua vasta experiência de vida, que mesmo perante todos os seus esforços, discursos, palestras e de todos os outros compatriotas pelo mundo. Todo esforço para mudar a situação estava sendo em vão. Poderiam sim, mediante muito trabalho, dificultar a mão de ferro do homem, no entanto, não poderiam impedir o inevitável...  Em questão de poucos anos não haveria mais animais vivos, apenas exemplares empalhados em museus. E não satisfeitos com toda essa tragédia anunciada, o homem tentaria pôr fim à sua própria existência, pois a cada dia, os homens percebem não ser capazes de viverem consigo mesmos. 

Pluto então terminava o seu discurso dizendo: "Diante de tudo o que foi dito, diante da inevitabilidade, que tenhamos todos… Um bom fim".

Cada animal presente se retirou em silêncio, cabisbaixos, orelhas caídas é rabo entre as pernas, seguiu cada um sem dono é sem rumo pelos ermos dessa vida… Orelhas caídas, rabo entre as pernas, vai o cão arrependido… No olhar o reflexo de uma certeza, a de que o homem é a única raça incapaz de suportar a si mesma.


(L. B)




VÃS IMAGINAÇÕES E PENSAMENTOS IMPERFEITOS.

          Conto...    Cansada e sentindo o peso da exaustão, Mirela sentou-se na velha cadeira de balanço deixada na garagem, encostou a vas...