segunda-feira, 25 de abril de 2022

POESIA.

 A xícara de café.


O líquido escuro na xícara vermelha, a fumaça subindo e

tremulando, ele a observa até que ela lentamente

   desaparece no ar, mil pensamentos rastejando em seus

   desavisados neurônios, terríveis desejos descontrolados.


   Outro pequeno gole da bebida escura exageradamente

    doce, ele completa a xícara uma vez mais, está confuso

    e inserto no que deveria de fazer, são possibilidades que

    lhe parece inviável, mas o desejo, é mais forte que ele.


   Sem que perceba, a xícara está vazia, e pela terceira vez

   derrama a fumacenta bebida, assopra, toma outro gole

   que lhe queima os lábios, no susto, derrama sobre a mesa.


    Enquanto a fumaça teimosa sobe dançarina se esvaindo

    no ar, os seus pensamentos estão nela, ele a ama, mas não

    pode se declarar a um amor cheio de impossibilidades.

domingo, 24 de abril de 2022

CRÔNICA DE DOMINGO

           



                         FINAL DE TARDE.


   Desavisadas nuvens dispersas pelo azul celeste, tarde movimentada na rua da minha casa. Carros apressados que passam, buzinando, freadas bruscas em frente a lombada. Alguns motoristas são mais atentos e prudentes, mãos firmes no volante, passando na velocidade correta da via, outros, descuidados, dividem a direção com o celular ou uma lata de cerveja, quase batendo, quase atropelando. É a rotina do trânsito de todos os dias.

   Uma brisa suave começa a soprar, o sol lentamente vai descendo no horizonte, trazendo tons de vermelho e laranja incríveis, uma obra prima do criador. Todos os finais de tarde são pinturas em pleno céu, é de encantar o olhar de qualquer artista.

   De frente a minha casa tem uma creche, da sacada é possível ver quase todo o interior dela, espaços muito bem aproveitados, de uma arquitetura admirável. O barulho das crianças é intenso, correndo e gritando o tempo todo, deixando as funcionárias malucas. Gravei o nome de algumas crianças, que por terem os nomes tantas vezes repetidos considero os mais arteiros. O intervalo dos pequenos termina rapidamente, alguns carros começam a estacionar do outro lado da rua, acredito ser os pais de alguns deles chegando para buscá-los. Não é somente a creche que tem em frente a minha casa, outras duas escolas foram construídas abaixo da creche. Uma delas, "Osmar de Almeida", outra, "Hélio del Cistia", a segunda é a escola da minha filha. Então, os senhores leitores podem imaginar quão movimentada é a rua da minha casa. 

   Faces e sorrisos, mães que passam com os filhos sendo puxados, outros, sendo segurados para não atravessarem a rua. O movimento de carro se intensifica, à medida que os alunos da Escola Osmar de Almeida estão saindo. É um verdadeiro desfile de carros das mais variadas marcas e cores. Novamente a rua trava, buzinas, manobras, e no meio de tudo isso motos e mobiletes barulhentas. É impossível assistir alguma coisa nesse horário na sala de casa.

   O dia vai dando adeus, cedendo lugar ao começo de noite. A brisa antes suave começa a ficar fria, ardendo na pele. Os últimos raios de sol desaparecem, lentamente a noite estica os seus longos e escuros braços, trás consigo as primeiras estrelas, o frio é mais intenso.  A rua continua com movimento forte de carros, provavelmente motoristas que estão vindo do trabalho, apressados seguem caminho para suas casas.

   A noite chega, com ela o quase silêncio, a rua antes cheia de vida e de barulho agora cochila, exibe ainda alguns transeuntes oriundos da própria noite. A infinidade de estrelas cobrem o céu de um lado a outro. O que seria dessa tela escura sem a beleza reluzente de cada uma delas? A dama da noite não poderia ser outra. Luar majestoso que surge com toda pompa, em todo o seu resplendor. Não sei dizer qual tela é mais bela, a do fim de tarde ou da noite. Sei apenas que as obras do criador são perfeitas. As horas que passei na sacada de casa para escrever essa crônica foram maravilhosas... Ver, ouvir, sentir a vida pulsando em cada canto, em cada detalhe, terminarei dizendo que... O senhor é bom o tempo todo e o tempo todo o senhor é bom.





domingo, 17 de abril de 2022

CRÔNICA DE DOMINGO.

         



           A HISTÓRIA DO PUDIM QUE EXPLODIU.


    Na minha modesta opinião, a culinária de nosso país é uma das mais ricas de todo o mundo. O motivo é que o povo brasileiro foi formado por uma mistura de raças e cultura de outros povos que no passado vieram para o Brasil. Crescia no  solo pátrio abundante riqueza, em todos os aspectos, uma das mais notáveis talvez seja a gastronômica. Temos bom gosto quando o assunto é 'comida'. Os nossos restaurantes e chefes culinários estão entre os melhores. De um simples prato do dia a dia a sofisticação dos grandes restaurantes, em nada ficamos para trás. Basta trazer pessoas de outros países para degustar as especialidades em nossos restaurantes que o resultado vai ser inesquecível para o visitante, digo sem sombra de dúvidas. É claro que muitas outras nações também são gigantes na arte de cozinhar, mas, como bom patriota que sou, tenho que defender e enaltecer nossa exuberante e magnífica cozinha, que, me atrevo a dizer, está entre as primeiras do planeta gastronômico.

     De Norte a Sul do país temos pratos que figuram entre os mais conhecidos, como exemplo da Feijoada, moqueca, acarajé, pato no tucupi, tacacá, baião de Dois, arroz com Pequi, arroz Carreteiro, feijão Tropeiro, paçoca de Carne Seca, barreado, galinhada, frango ao molho pardo, virado à Paulista, camarão na Moranga e por aí vai a lista, me foge o nome de tantos outras delícias. Cada Estado traz o seu próprio universo de opções de dar água na boca. 

Tempos atrás, eu participei de uma festa onde havia barracas com comidas típicas de cada Estado brasileiro, cada barraca apresentou, 'algumas', das comidas típicas dessas localidades. Foi sem sombra de dúvidas qualquer coisa sem palavras para explicar, confesso que fiquei perdido, boquiaberto com tanta coisa gostosa, o aroma era arrebatador, a beleza de cada prato uma obra prima da arte culinária. Naquele dia aproveitei ao máximo, comendo um pouquinho aqui e alí, ainda faltou algumas opções a serem degustadas, mas, eu estava tão cheio que não cabia mais nada. Que festa maravilhosa foi aquela...

    A arte de manipular os alimentos de modo a transformá-los em delícias vem do berço. A avó ensina para a mãe que ensina para a filha e assim por diante. Minha avó é uma cozinheira de primeira linha, descendente de italianos, aprendeu e ensinou várias das receitas de família. A minha mãe, por sua vez, aprendeu e ensinou à minha irmã várias receitas. Muitas ela aprendeu, outras, razoavelmente, mas, uma delas, na primeira vez que ela fez, meu Deus! Foi um desastre... É justamente a receita que deu título a crônica deste domingo. 'A história do pudim explosivo', é exclusividade da minha irmã. É isso mesmo que você está pensando, caro leitor, o pudim que minha irmã fez, seguindo toda a receita cuidadosamente, ao final, quando ela foi desenformar, ele simplesmente explodiu... Sim, explodiu... Que sujou toda a cozinha. Aquilo foi algo inacreditável, é claro que depois ela acertou e fez outros que ficaram perfeitos. Já o primeiro... Foi trágico, sempre me recordo do episódio quando me deparo com um pudim. Eu não mencionaria a história aqui, mas, eu não resisti, desculpa aí maninha, você sabe o quanto te amo.







O ESPELHO.

                  Do lado de dentro o vento está rugindo furioso, saindo para o lado de fora pelas frestas da janela.            Do lado de ...