sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

ANATOMIA DA DOR.




    A dor é intensa e pulsante dentro da alma, nada do que digam ou façam ajudará contê-la, é simplesmente aterrorizante o que estou sentindo, eu queria muito lhes explicar, porém, o meu coração está desfigurado, feito em mil pedaços. Às minhas incessantes lágrimas beijam a terra nua, e tal beijo reflete a vontade de desaparecer para todo o sempre. 
     Eu sei que gritar não adianta, nada do que eu faça me ajudará, aliás, sou o meu próprio fundo do poço, o ápice da minha derrota. Quisera eu ser como as pessoas que me cercam, ter uma vida normal, tal como meus compatriotas, todos perfeitos, contudo, em nada me assemelho com "os normais". Talvez a inexistência me caia bem daqui por diante, estou plenamente convencido e sem dúvidas volto a lhes dizer que minha voz deverá ser silenciada.
     Eu penso na dor existencial, na sua concepção,
na dor que move minhas entranhas dia após dia, noite após noite, entre horas e minutos de um tic a um tac, por muito tempo tentei inutilmente compreender-me, tolo que fui em acreditar que seria capaz de tal prodígio, haja vista ser um pródigo alcançar a compreensão de si mesmo. Há dias, e esses são tão raros quanto o ouro, dias de felicidades e sorrisos quase largos estampados na face, no entanto, assim como nuvens passageiras é o meu pálido sorriso, e novamente a dor se faz presente na tábua do meu coração. Se eu fosse lhes contar todos os pormenores do projeto a poeta que vos escreve... Certamente que ficaríamos horas inteiras falando, são inúmeras as histórias de meus fracassos. Estou me convencendo que realmente o silêncio me define muito bem, afinal, sou eu um nada feito de mentiras e mistérios cercados de insignificâncias.
    O mundo caminha a passos largos, à beira do abismo e ninguém está percebendo o perigo iminente. A maioria anda sem nenhuma atenção pelo abismo, não importa o que aconteça ao redor, nada importa. Talvez eu seja alguém fora do perigo dos outros, porém, caminho a passos largos e vacilantes tão mais próximo do meu próprio precipício, estou ao ponto de cair e não há quem possa me socorrer. Quando essas percepções alcança meu vago intelecto, o coração se desespera gritando e chorando querendo arrebatar-se inteiro dentro do meu peito. Novamente as lágrimas teimando em nascer, os meus olhos choram a derrota mais do que certa, tenho apenas que observar a minha decadência pessoal e o fim.
    O meu sincero desejo de fazer compreensível minha dor, torná-la entendível por meio das minhas palavras escritas, se possível for, fazê-la tal quase a ser palpável, criar uma anatomia desse sentimento tão complexo. Embora eu procure exaustivamente pelas palavras, prospectando no mais profundo da minha alma, os dizeres desse relés rabisco não explicam nada, por mais belas que pareçam as minhas palavras são ventos soltos e sem destino. Às vezes, para não dizer que em todos os momentos da vida, sou completamente introspectivo e melancólico, os meus dias são feitos de noites inteiras sem fim e eternas. Não gosto de escutar o som do meu próprio coração, cada batida é um terrível infindo de dor e lamento, nada faz sentido, sou alguém sem perspectivas.

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

TRAIÇÃO, SEPARAÇÃO, SEGREDOS OCULTOS.





       RESENHA. ( ALERTA DE SPOILER)

        O presente romance, em sua primeira parte, narrada em primeira pessoa, tendo por estilo epistolar, onde a narradora rememora momentos de sua vida em suas cartas... O esposo, Aldo, a traiu com uma moça chamada Lídia, deixando a casa, esposa e os filhos, Sandro e Anna.

         O romance é dividido em três partes, na primeira temos essas as cartas da esposa, relatando fatos que desrespeito a separação do casal, bem como, perceptível como o divórcio afeta profundamente a "ex-mulher" de Aldo, tendo que lidar com todas as consequências de um final de relacionamento onde os filhos são os mais afetados, a cada carta, não respondida, fica visível o desabafo de uma mulher que vive "à beira" do próprio abismo sem saber o que fará. A separação acontece, Aldo continua com a amante Lídia, não parece disposto a esforços para ajudar os dois filhos, Sandro e Anna.

           A segunda parte do romance também é narrada em primeira pessoa, porém, aqui temos Aldo falando. De pronto notamos que passaram-se longos anos, Aldo está idoso, a esposa ( Vanda - somente na segunda parte sabemos o nome dela ) também é idosa. Dar-nos a entender que em algum momento do passado, eles reataram o casamento. Os filhos são adultos, cada um vivendo sua vida. Porém, um fato inusitado aconteceu, ladrões arrombaram o apartamento do casal enquanto estavam fora, não levaram nada, contudo, destruíram tudo. No momento de reorganizar a bagunça, Aldo reencontra um envelope antigo contendo várias cartas escritas pela esposa daquele período conturbado do relacionamento. A narrativa de Aldo rememora momentos do passado, anos vividos, toda dinâmica da separação, de sua convivência com Lídia, o distanciamento dos filhos e suas consequências psicológicas para toda a família. Aldo nos conta o seu lado da história, de suas dificuldades de assumir os compromissos como paí responsável. O período da separação foi de cinco anos, ele retorna para o seio familiar, porém, as coisas não são as mesmas, tudo mudou, embora unidos no mesmo espaço físico, isso não se dava na afetividade. Aldo revela segredos, a continuidade com amantes por longos anos. Os filhos cresceram, cada um seguindo sua vida, não exatamente como ele talvez imaginasse, Aldo parece ter certo remorso pela falta de solidez na vida dos filhos.

       A terceira e última parte, também em primeira pessoa, é descrita pela filha Anna. Aqui temos um vislumbre da vida dos filhos nas palavras de Anna. É notório que a separação de seus pais, todos os acontecimentos que envolveu o período causou nos filhos danos, talvez irreparáveis. Sandro tem quatro filhos, cada um com uma mulher. É acusado pela irmã de usar muitíssimo bem o seu melodrama para benefício próprio. Cinquentão com cara de trinta. Já a irmã, aos quarenta e cinco anos, instável emocionante, se acha rejeitada e não amada pelos pais e irmão. Anna quer propor a venda da casa dos pais e repartir a herança, Sandro acha um absurdo. A verdade é que ambos herdaram características psicológicas dos progenitores, o perceptível o reflexo da vida deles ( pais ), na vivência dos filhos. A narrativa de Anna se dá no apartamento dos pais enquanto estão de viagem, verdades sobre os dois são reveladas, da Aldo, fotos de uma polaroide de Lídia nua, escondida por anos, mostrando que ele nunca se separou de verdade da amante, da mãe, a possível traição com um tal Nadar - muitíssimo bem oculta de todos. Para forçar os pais a venderem o apartamento, ambos o destroem completamente. O livro termina aqui, magnífico na minha opinião, mostrando todos os ( laços ), lados e consequências de traição, separação e segredos ocultos.

terça-feira, 15 de abril de 2025

SILÊNCIO MÚTUO.

 



   ( CONTO)

 

    Quanto aos meus pecados, bom, os meus pecados... São tão numerosos quanto a areia da praia. 

     Calma... Eu sei que é exagero, porém, não deixam de ser números.

     Permita-me confidenciar pormenores das minhas aventuras ocultas, na verdade, está mais para desventuras. O meu nome é Angela, basta saber apenas isso a meu respeito. Embora o nome também seja indigno das palavras jogas no papel. Às vezes, os sentimentos mais profundos na sua alma e coração podem causar-lhe terríveis problemas. 

     Digamos que foi o ocorrido com essa que vos escreve. 

      Não me tenha por diferente de ninguém, todos nós humanos dotados de alma, coração e desejo estaremos sujeitos a tais acontecimentos. Houve um tempo de silêncio e encolhimento da minha pessoa em face da própria vida, talvez tenha sido esse o meu erro.

       Será?

       Tudo começou em uma primavera, quase ao final dela, na transição com o verão.

     Naquele tempo o meu esposo trabalhava fora, lutando para ganhar um pouco a mais, contudo, esse pouco era sempre para menos, por isso decidi fazer faxinas, ser diarista, aqui e ali para complementar a minha renda. As contas estavam cada vez mais difíceis de equilibrar, eu quase enlouquecia para quitar todas e não deixar nada para trás.

       Perdoe-me por não revelar nomes.

       Em uma dessas limpezas, na Casa de B, percebi certa... Como vou dizer... Aproximação entre nós, amizade mesmo, até aí tudo bem, contudo, os olhares falam mais do que as palavras, e os olhares dele diziam tudo o que o meu desejava no oculto da alma.

       As limpezas na casa de B ficaram mais frequentes, eu passava o dia quase todo lá. De certo modo era desconfortável, uma vez que B era solteiro, um pouco mais velho do que eu. Ele nunca saia da sua casa quando eu estava lá. B conversava o tempo todo, no início incomodou bastante, atrapalhava o rendimento do meu serviço, depois, fui me acostumando, e também passei a não dar atenção ao que ele falava. Ele sempre tinha que entrar em assuntos relacionado ao sexo, como eu disse, no início eu não gostava, com o decurso do tempo não liguei para mais nada do que ele dizia.

         Saibam que o coração é traiçoeiro, sim e muito traiçoeiro por sinal.

         Foi justamente esse meu coração traiçoeiro que aos poucos guardava em si as palavras de B, suas condições a respeito das "supostas" namoradas, das suas "supostas" aventuras sexuais, B não tinha freios nós lábios, falava como se estivesse conversando com um amigo na mesa de um bar. Esse traiçoeiro coração estava gostando de ouvir suas histórias, afinal, a minha vida sexual com o esposo era um caco, não por culpa dele, minha, eu acho.

         Vou lhes poupar de descrições alongadas e desnecessárias, vamos logo ao ponto que interessa.

         A primeira investida de B, por assim dizer, foi a provocação das palavras. Surtiu efeitos, eu fiquei de certo modo, excitada ouvindo os seus relatos. Eu fingi não deixá-lo perceber todo o meu tesão com suas histórias, todavia, os seios avantajados que tenho ficavam muito... Como vou dizer, bicudos quando ele falava de sexo, eu tentava esconder, não deixar com que B visse, mas, o camarada era insistência pura, queria estar próximo, os seus olhos vez e outra ficavam nos meus peitos bicudos, no meu, belo... Como vou dizer, capo de fusca marcado na calça leg.

           Em um desses momentos, quando então eu limpava o armário de sua cozinha, a porta do armário se desprendeu, algumas vasilhas quase caíram, para não cair totalmente, segurei tudo como pude, chamei B para ajudar. Pronto, era a oportunidade que ele queria, desconfio até hoje desse armário meu solto. Pois bem, ele se posicionou atrás de mim, segurou a porta do armário e algumas vasilhas prestes a cair, ele pediu para mim encaixar a porta no lugar antes que tudo viesse para o chão. Na verdade era ele que se encaixou de tal forma atrás de mim que senti o seu pau se esfregando na minha bunda. De início pensei em xingar B, fiquei um pouco irritada, porém, o maldito tesão já havia tomado o coração e trancafiado a razão. Eu simplesmente deixei. Eu senti aquele pau esfregando-se no meu rabo, senti ele endurecer no meio das minhas nádegas. Nem eu e nem ele falamos nada a respeito. Eu fingia que não estava conseguindo recolocar a porta só para sentir um pouco mais daquele pau na minha bunda.

          Em outra ocasião, quando após a faxina senti uma dor muito desconfortável no ombro, devido à minha tendinite, B se ofereceu para fazer uma massagem. Pronto, lá estava eu cedendo a sua safada oportunidade. Novamente ele se posicionou atrás, bem próximo, começou a massagem, em cima, e, o esfrega vez e outra abaixo, seu pau tocando minha bunda, que tesão senti naquele dia, eu já estava todinha molhada. Cheguei a empinar a bunda ligeiramente para ele encaixar melhor. Novamente, atos em curso diante de nosso silêncio mútuo. Digamos que as massagens eram cada vez mais frequentes após as limpezas. Como eu disse, as loucuras do coração estavam soltas enquanto a razão trancafiada.Tudo acontecia sempre da mesma maneira, esfregando o pau em mim, sem o menor pudor, a coisa ficou tão... Como vou dizer... Descontrolada que eu chegava dar uma rebolada de leve, ele pequenas estocadas. Era visível o volume no seu calção, nem ele e tão pouco eu falávamos nada.

          Em outra dessas massagens, mencionei que um creme ajudaria, eu, safada que só, tinha até levado o tal creme. Havia um probleminha, para passar o creme eu tinha que erguer a camisa ou retirar para ele massagear as costas. Pois foi nesse dia que ergui a camisa, na frente dele, expondo o sutiã. A parte de baixo não tirei. O tesão estava no ar. A minha boceta piscando, melada. Novamente a massagem que aumentou o meu tesão a níveis insuportáveis. Eu empinava ligeiramente a bunda, sentindo aquele pau roçar minha na minha boceta, a racha da minha pepeca sendo massageada pelo seu pau. Senti quando as mãos dele se aproximavam dos seios, uma tentativa de tocá-los, eu não disse nada. A cada tentativa, seus dedos chegavam mais para dentro do sutiã. Não tinha mais para onde correr, de repente, os seus dedos já estavam massageando o bico do meu peito por dentro do sutiã. O seu pau fora da roupa esfregando gostoso a racha da minha boceta. Não tinha nada a fazer. Abaixei a calça, deixei ele esfregar por cima da calcinha. Novamente atitudes e ações de ambos sem nenhuma palavra, silêncio mútuo. A minha calcinha estava toda molhada, baixei a última barreira, empinei bem a bunda exibindo minha boceta e meu cuzinho, quando senti aquele pau grosso e gostoso entrar na minha bucetinha molhadinha. Ele enfiava gostoso, meteu com vontade, eu já havia gozado em seu pau várias vezes. Até que senti o seu jato quente de porra dentro de mim.

           Depois desse dia, sempre após a faxina rolava massagem e sacanagem.

           Até hoje fazemos isso, em pleno silêncio. Meu marido nem desconfia que B, me come e chupa gostoso cada vez que vou lá fazer faxina em sua casa.

O ESPELHO.

                  Do lado de dentro o vento está rugindo furioso, saindo para o lado de fora pelas frestas da janela.            Do lado de ...