segunda-feira, 14 de abril de 2025

AGONIA E ÊXTASE.

 


    ( Conto erótico)

   

     Era sempre a mesma rotina, trabalho, casa, trabalho, a tirania da labuta dos pequenos afazeres universais. Quando ela chegava em sua casa após um dia exaustivo já era noite, ia logo para o banho, depois o jantar, assistia um pouco e dormia logo em seguida, sempre nessa ordem religiosamente.

    A rotina de sempre.

    Marisa sentia-se solitária, quase não conversava com o esposo, sim, ela era casada. A cada dia o esposo ficava mais ausente. A relação carnal dos dois era um desastre, vez e outra acontecia alguma intimidade, sexo rápido, sem nenhuma novidade, papai e mamãe sem nenhum prazer para ela. O corpo de Marisa pedia mais desejava algo surpreendente, queria prazer de verdade, ter o seu ápice, orgasmos como nunca teve, gozar, gemer, foder, falar palavras torpes. 

     Eram apenas desejos, sonhos, devaneios, anseios esquecidos na penumbra do pensamento.

     O esposo estava longe de lhe proporcionar o que tanto ansiava.

     Entretanto, a sua realidade estava prestes a mudar.  

     Não que o marido fosse realizar as suas fantasias sexuais, definitivamente não foi isso que ocorreu. Marisa começou a trabalhar, o primeiro passo que fez tudo mudar. Marisa era atendente em uma loja de manipulação de medicamentos entre outros produtos para beleza. Trabalhava no período da tarde para noite, chegava em casa sempre depois das onze devido aos vários ônibus que tinha que pegar. O marido tornou-se ainda mais ausente em sua vida, no começo ele reclamou, porém, acostumou-se rapidamente com a rotina da esposa. 

     Marisa era uma mulher de estatura mediana, o corpo esbelto, seios fartos, pele alva, as pernas torneadas, bunda arredondada, uma mulher muito sorridente, perfeitamente simétrica em suas curvas, olhos verdes, quando colocava a roupa de trabalho, toda branca, a calça do uniforme bem apertado valorizando a beleza de suas curvas e perna tão bem desenhadas, bunda toda redondinha, a calcinha pequeníssima marcando a roupa com delicadeza, o sexo devidamente marcado, deliciosamente dividido, todos olhavam com certo desejo para Marisa, ela gostava de usar roupas íntimas bem pequenas, de renda, na clara intenção de provocar olhares alheios.

     Não demorou para ela despertar a atenção e os gracejos do chefe, Ronaldo. Vez e outra ele surgia com um elogio, pequenos presentes, chocolates, convites para almoçar em um restaurante bem próximo do trabalho, no começo ela recusou as investidas, tinha medo de alguém ver e falar, depois de muitos convites, da insistência, passou a aceitar.

     Ronaldo não poupava munições, elogiava Marisa o tempo todo, que, por sua vez, aos poucos, palavra a palavra, cedia aos galanteios do bonito quarentão. Marisa passou a ter sonhos com o chefe, fazia meses que não tinha relações com o marido, ela estava ardendo em desejos, tentando se segurar, quando estava com o chefe, nos momentos em que ele tocava-lhe discretamente na cintura, principalmente quando estavam no restaurante, Marisa sentia sua intimidade umedecer, latejando de desejo por Ronaldo, que, percebendo a fraqueza da colega, convidou-a para um jantar diferente; o tal jantar seria em um sábado, cedido pela empresa a todos os funcionários. 

       Ela aceitou o convite deixando-se iludir que seria um evento com toda equipe. Jantar esse que seu esposo não fez questão de saber quando Marisa lhe contou a respeito.

 

   Chegou o grande dia, sábado, início de tarde.

   Marisa se preparou para o jantar, separou a melhor roupa, um vestido provocante, calcinha minúscula como sempre, o melhor perfume. Enquanto tomava banho, imaginava Ronaldo, chupando com ferocidade sua boceta, como nos filmes pornográficos, depois colocando-a de quatro, penetrando com força sua bunda, gemendo de prazer. Delírio, imaginações, posições… Marisa terminou o banho, trocou-se e foi para o local indicado por Ronaldo. 

     Alguns minutos depois surgiu ele em seu Civic Preto, vidros escuros, ela não perdeu tempo, entrou rapidamente no carro, morrendo de medo de ser vista. Ronaldo seguiu pela avenida Brasil, subindo pela Marechal Tito, virou a primeira esquerda na Vila dos Ingleses. Caminho totalmente contrário ao da empresa, Marisa logo percebeu que não se tratava de um jantar, ela bem que sabia, teve medo no início, sentiu-se ainda mais excitada com as possibilidades daquele passeio, a intimidade encharcada, vez ou outra as mãos de Ronaldo correndo-lhe pelas pernas até subir a altura da calcinha. Marisa permitia-se ser tocada, queria ser tocada, ela tinha medo, porém, o tesão era maior. Não demorou e o Civic Preto adentrou em um conhecido Driving da cidade, que tinha por nome, Mar Azul. Marisa ficou eufórica, com ainda mais medo e tesão do que antes, seu marido nunca a levou em um motel. Enquanto dirigiam para o quarto, na profundezas de seus pensamentos, perguntava-se como havia chegado tão rápido naquela condição, a de trair seu esposo com outro homem sem o menor remorso. Aquela nuvem de pensamentos logo se dissipou quando repentinamente ela foi surpreendida com um beijo de Ronaldo na altura do pescoço, ali mesmo no corredor, em frente ao quarto. 

    Marisa nunca havia sido beijada daquela maneira, ela retribuiu-lhe com avassaladores lábios, cheios de pecado, o batom vermelho, a danação da carne com a carne profana.

   Ele abriu a porta, entrou na frente, ele logo atrás, agarrou-a beijando-lhe o pescoço, enfiando as mãos por dentro da roupa, mordendo levemente a ponta das orelhas, ela, excitada, gemia baixinho de olhos fechados, sentiu logo o volume pressionando no meio da bunda. Ronaldo jogou-a na cama, de costas para ele, arrancando a roupa dela lentamente. Por cima dela, começou o processo beijando-a, ela permitia-se ser possuída, assim também ele o fazia, a ereção pulsante, gigantesca, fazendo seus olhos carregados de safadeza e desejos brilharem. Arrancou-lhe por último a calcinha com os dentes, sua boceta Lisa, latejante, vermelhinha, bunda perfeita, meteu-lhe logo a língua, chupando-a com maestria, como nunca antes foi, não resistindo a penetração da sua língua em sua boceta gozou a primeira vez, era apenas a primeira de muitas. Lentamente Ronaldo introduziu seu sexo duro e grosso na estreita entrada da sua intimidade, ela, ali de quatro para ele, sua bunda perfeitamente arredondada, engolindo Ronaldo, uma discreta pinta na nádega esquerda movendo-se a medida em que era penetrada. A sensação era de como se fosse arrebenta-lá, mas logo a dor excruciante virou prazer extremado, agonia e êxtase no mesmo instante, ela empinava a bunda rebolando em seu sexo duro, gemendo pedindo mais, ele, metia com força, na boceta, no cuzinho apertado. Assim foi por várias horas, nas mais diversas posições… "Fode gostoso vai, fode esse meu cuzinho, goza nele, mete na minha bucetinha", ela dizia repetidas vezes. 

 

    Horas depois, quando Marisa retornou para casa, estava com a buceta ardendo, desejosa de ter outros encontros como aquele. O esposo não percebeu nada, e a noite seguiu seu curso tranquilo. A coisa repetiu-se por várias vezes, em algumas delas Ronaldo gozava em sua boceta, ela, para garantir que nada acontecesse, tomava pílula do dia seguinte para evitar a gravidez.

   Certo dia, sentindo-se enjoada, com tonturas e repetidos vômitos, pediu para o esposo levá-la ao médico, no hospital, qual não foi a surpresa, depois de alguns exames, o médico olhando para o esposo de Marisa lhe disse.

   — Meus parabéns, seu Arnaldo! Você vai ser papai…

   Acontece que... Além de ser estéril, fazia meses em que Arnaldo não tin

ha relações com a esposa.

sábado, 8 de março de 2025

TODA MULHER É UMA FLOR.

 




Você é flor de açucena,

Advinda de reino distante,

Pétala delicada, tão pequena,

Perfumada, tão elegante,

De olhar poderoso, face serena,

Deixastes o meu coração agoniante,

Quando sou apenas esta sombra esquia,

Lá adiante, esquecida, apagada, nua e fria.


Você é tão linda quanto a pulméria,

Glamourosa, toda ornamentada,

Às vezes quieta, por outras séria,

Às vezes extravagante, por outras recatada,

És o rubro sangue a pulsar nessa artéria,

Dentre tantas no Olimpo, a mais veneranda,

Exalando a tua fragrância, teu doce veneno,

Em ardentes beijos em lábio pequeno.


Você é superior ao crisântemo vermelho,

Em cada pequeno detalhe é majestosa,

Diante de ti eu me ajoelho,

És tão única, incomparável, poderosa,

O reflexo delirante em meu espelho,

Flor de meus sonhos juvenis, tão generosa,

A tua delicada pétala, em nada assemelho,

Enlouquecido está o meu fraco coração, 

Devorado pelo fogo consumidor da paixão.


Você, minha dália rara,

De cor única, sem igual,

Em nada se compara,

Flor magnânima, especial,

De majestade se adornara,

Divino ser de toque angelical, 

Diante de ti, quem eu sou?

De meu seio, o que restou?


Você, orquídea de fragrância adorável,

Derramando sua majestade por onde passa,

De cores ímpares e de beleza inigualável, 

Neste seio moribundo a dor de amar me laça,

Pareço não ter forças, o amor é um mal incurável,

De seus laços não há quem se desfaça,

O meu coração rapidamente enlouqueceu,

Diante de seus olhos se perdeu.


Você, adorável túlipa de pétalas reluzentes,

Habitante soberana do jardim primavera,

De olhares altivos, em nada benevolentes,

Tendo em teus domínios tudo quanto pudera,

Embora ainda que estejamos ausentes,

Restou-lhe o assombro de nossas quimeras,

De dominadores somos agora dominados,

De amores por ti, morreremos todos condenados.


Você, minha alva magnólia oriental,

Símbolo da pureza e da perfeição,

És única em estatura descomunal,

Trazendo alívio para este desesperado coração,

Vê, já não basta este mundo tão desigual,

Vê, elas já não são coroas brilhantes da criação,

Erga-te, ô gigante, entre nuvens e vá sonhar,

Eleva-te, ô gigante, onde ninguém possa te alcançar.


Você, magnânima rosa de meu sonho,

Exibindo tua rubra pétala exuberante,

Ao olhar cobiçoso, às vezes tão medonho,

De um amor desajustado e abundante,

Em versos tortos, em dizer tristonho,

De um poeta solitário, louco e errante,

O que será da minha pena e deste meu verso,

Neste vago e vasto inquieto universo.


Você, calêndula reluzente,

De pétala tão delicada,

Flor única, diferente,

De majestade adornada.

Ao toque alheio indecente,

Pétala por pétala arrancada, 

Diga-me, se bem-me-quer,

Diga-me, se mal-me-quer.


Você, majestosa lótus de puro amor,

De mil desejos e encantos infinitos,

Com este teu olhar abrasador,

Ardente e cheio de delitos,

Atende ao meu incessante clamor,

Resolva todos os meus 

conflitos,

Pois é o teu cálice que tanto desejo,

O teu toque incandescente de teu beijo.

domingo, 24 de novembro de 2024

PROSA POÉTICA.

 




   CHORE UM POUCO MAIS, NOBRE POETA.


   Canta o amor, solitário poeta, o sentimento que te move, que surge, comove e te transforma. Canta em voz alta toda essa dor. Canta os versos da liberdade, o amor que é reescrito, centrado, canta as tuas muitas vivências e os dias de angústia suprema. Ainda que seja a última vez, que sejam derradeiras as suas palavras, do dizer nunca antes dito. Quem lê que entenda o quanto doi, compreenda quem é que se esconde, se oculta fugitivo em cada estrofe.

   Canta a sua dor solitário poeta, a dor de ter amado tanto, de ter devotado tamanho sentimento e perceber que não valeu de nada. Hoje os teus escritos são de agonia, versos riscados à beira do abismo, prontos a cair no esquecimento, quem nessa vida os lerá? Joga-os aos quatro ventos, ao sabor das estações e talvez alguém os encontre. Coloque-os em uma garrafa, atira-os ao sabor de novas marés e talvez algum náufrago os reencontre.

   Já se faz alta a noite, de muitas estrelas brilhantes estendidas no firmamento a luz de desatento luar. O poeta a tudo contempla, do alto da janela solidão ele tudo contempla, ele vê os sentimentos desnudos passeando soltos no peito. Quem é ela, poeta? Revela-nos o seu nome e onde habitas tal amor? Quem é essa que te enlouqueceu? Que faz teu coração parar quando ela surgiu, por favor, revela-nos, quem é ela?

   Amanheceu e nada mudou, o sol está se levantando lentamente enquanto pássaros estão cantando na copa das árvores, homens e mulheres passando desavisados. Faces fechadas, sisudas, indiferentes, outros acenam sem querer respostas, corações pesados, almas cansadas, sentimentos fervilhando por dentro. Somos observadores da vida alheia de papel e caneta nas mãos, derramando versos na folha em branco. Procuras por ela em cada rosto que passa, às vezes, algumas enganam o teu olhar, então, pensas nela, enganoso coração apaixonado é o teu, nobre poeta.

   Canta as tuas quimeras, nobre poeta, os medos ocultos no coração, os teus muitíssimos desejos proibidos e aquartelados no calabouço da alma. Se derrame em cada estrofe, nobre poeta, enlouquecendo em cada verso, delirante em cada palavra, desvario completo em cada poema. Tornastes o que não querias, encontrando o que não procuravas, vivenciando todas as outras vidas. Enquanto isso, a tua vida ficou esquecida, lutastes tanto por tantos amores e sobrou-te apenas o barco da solidão nesse imenso oceano.

   Aquele teu desejo oculto acorrentado no peito, desejo nunca compreendido, flagelando o aedo seio. Quem é ela, nobre poeta? Revela-nos o seu nome, quem é que te atormenta, te faz perder o sono todas as noites. Tantos foram os versos riscados, feitos e refeitos na tábua do coração, versos de um amor inalcançável. Os sentimentos desnudos, cambaleantes diante dos olhos, quem os poderá compreender?

   Canta uma vez mais, nobre poeta, ainda que teu mundo seja ilusão, ainda que tuas quimeras pareçam reais, ainda que teus devaneios o assombre. Canta pela última vez, nobre poeta, sacie a tua alma com os teus pensamentos, transforme-os em doces palavras, sejam os versos teu porto seguro. Entenda, nobre aedo das palavras, ela nunca terá olhos para você, em nenhuma das existência do cosmo, aliás. Ainda persiste nesse louco amor? Escrevendo dia após dia e noite após noite tua infinita dor em amar tanto?

   Certamente você enlouqueceu.

   Amar tornou-se uma luta, interna, externa e infinita, uma busca pelo inalcançável. É uma quase desistência o tempo todo. Você a vê todos os dias, nobre poeta, ela está diante da janela da tua alma, os olhos brilhantes, a face formosa, o sorriso desconcertante e enlouquecedor. O teu coração arrebenta-se no peito, falta-lhe uma porção do ar, pernas e mãos ficam trêmulas. Basta um olhar, nobre poeta, basta o timbre da voz e um simples aceno, uma ou duas palavras e o seu mundo vira de cabeça para baixo.

   Ela, sempre ela, nobre poeta, desfilando sua bela juventude e suas curvas delirantes. Por onde ela passa é admirada, enfeitiçando outros olhos inocentes e desprotegidos. É sempre ela, nobre poeta, oferecendo graciosos sorrisos, a sonoridade da voz de anjo lêdo, quem, afinal, poderia resistir tal encanto. Sei o quanto você sofre, caríssimo poeta da solidão, todos esses sentimentos aí dentro, corroendo a tua alma e coração. Talvez um dia ela te perceba e note o teu desesperado amor e valorize cada verso do teu sofrer.

   Canta uma última vez, nobre poeta, chore um pouco mais, escreva os versos derradeiros, jogue-os ao sabor do vento. A tua canção não será esquecida, alguém a lerá em algum momento, perceberá o quanto você amou, em cada palavra e em cada poema. Laça os teus versos ao mar, deixe-os ao sabor das marés e que sejam navegantes solitários. Um último pedido que te faço, nobre poeta, revela-me em segredo o nome dela, de quem é a face do teu tormento.


O ESPELHO.

                  Do lado de dentro o vento está rugindo furioso, saindo para o lado de fora pelas frestas da janela.            Do lado de ...