quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Mini conto

 FRIO INTENSO.



Que dia horrendo.

Hoje, momentos antes de sair para trabalhar, exatamente às cinco da manhã, ainda chovia, aliás, choveu durante toda a madrugada, perdurando quase o dia inteiro. A temperatura caiu gradativamente. Eu diria que essa é uma pequena amostra da onda de frio que está chegando, resultado de uma grande massa polar que se desprendeu da Antártica. Particularmente, não gosto do frio, pode até parecer agradável e romântico para muitos, a mim, não é nada agradável ficar tremendo e sentir os ossos quase a estalarem de tanto frio. O meu desejo era de ter uma grande lareira, porém, sendo o tal sonho improvável ficarei, por enquanto, contente com os meus surrados cobertores.

O despertador toca...

Levantei-me ainda trôpego.

Faz mais frio do que o normal, pelo jeito esse inverno vai ser ainda mais rigoroso. As previsões são de gear em várias cidades, no extremo sul do país, possibilidades de nevar até. Toda aquela situação me deixa assustado, eu não gosto do frio, nunca gostei. Os meus problemas de saúde agravam-se ainda mais com o frio extremo. A água  congelante machuca o rosto, lavo o rosto rapidamente, escovo os dentes, faço a barba e trato logo de me vestir. Duas calças, camisas e blusas, meias e luvas. É necessário tudo isso para conseguir sair para trabalhar...

Caminho em silêncio para o trabalho, tudo gelado. O frio intenso dói em meus ossos, é como se estivessem agulhas cravadas por todo o meu corpo. Enfrento a madrugada para ir ao trabalho a contra gosto. Nunca senti frio como o deste ano, tanto que, ensaiei desistir de ir ao trabalho, pensei até em inventar uma desculpa qualquer para o chefe, mas, é uma ideia fraca e tola, sem possibilidade de dar resultado. Imagino que no dia seguinte estará frio novamente, e no outro e outro dia. O melhor mesmo é enfrentá-lo, agasalho-me bem Coloquei tudo o que eu tenho direito. Luvas, duas blusas, três calças. O exagero era exatamente necessário para mim.




domingo, 15 de agosto de 2021

CRÔNICA.

 QUERO RESULTADOS E NÃO ENROLAÇÃO. 


   O que dizer de um grupo de pessoas designadas para julgar 'outra', pessoa — se é que os senhores me entendem… Sim, na minha concepção é o que está se desenrolando no momento. Pessoas que estão respondendo a mais de um processo na justiça, tendo parentes e amigos próximos encarcerados por corrupção, e os indivíduos só não foram presos por terem foro privilegiado. Esse grupo se encarregou de julgar todo um sistema organizacional, com a premissa dos mesmos estarem omitindo ajuda eficaz e precisa contra uma das maiores ameaças dos últimos anos. 

   Segundo eles, o que foi efetuado não combateu a crise que se instalava e se generalizava, e sim, incompetentemente, atrapalhou aqueles que se diziam aptos a lutar contra o problema. 

   Existe muita informação contrária e mentirosa aí, analisada descuidadamente. Não sou especialista no assunto, é tão pouco estou defendendo esse ou aquele. O que quero, é o que todas as pessoas de bem também querem. A verdade por trás dos fatos, sem politicagem, sem mentiras, sem palavrões contra quem quer que seja. 

   Era de se imaginar que após o surgimento das primeiras vacinas, haveria uma evidente corrida de todos os países para obtê-la o mais rápido possível. Não foi um único fabricante, mas vários. Vacinas essas aprovadas em caráter emergencial no combate ao vírus. Produto no mercado, oferta na mesa. Começava uma verdadeira caçada para conseguir o maior número possível de doses. Ouvi muitos colegas de redação dizer que não importava o preço, o importante era comprar logo antes de ficar sem. Ou seja, compre primeiro, depois veja quanto pagou… 

    Nessa guerra global contra esse inimigo invisível, houve aqueles que tentaram outros métodos através de medicamentos, com base na palavra de determinados especialistas. Métodos esses que ajudariam no combate, não que venceria a guerra, no entanto, era um ótimo aliado na luta. 

   É justamente esse o coração do problema. Ao descobrir um medicamento que ajude na mesma proporção de porcentagem de uma vacina que, custa três vezes mais que o vendido na farmácia… Meu amigo… Evidentemente o vendedor do produto três vezes mais não quererá perder a maior fatia do bolo. 

   No meu modesto entender, o que deveria ter acontecido era uma junção de esforços entre medicamentos que auxiliaria essas vacinas, juntando forças para um bem comum. Foi mais fácil acusar um, incriminar outro, tirar da frente aquele medicamento ali, para assim beneficiar a escolha dos mais poderosos. O ingrediente final é trabalhar na desinformação, na mídia manipulada. Visto que, a maioria dos olhos que estão diante do televisor acreditam cegamente no que é dito. Pronto, tudo feito. 

   O foco do problema está sendo desviado. Julgados não são adequados para julgarem o que não existe. A força para construir o culpado está sendo tão maior quanto a força que foi empregada na criação da 'vacina'. Espero que essa CPI dê algum resultado satisfatório, e ajude verdadeiramente a nossa nação e nosso povo. De ladrões e mentirosos o Brasil já está cheio. Quero e desejo mais resultados e menos enrolação. 


domingo, 8 de agosto de 2021

CRÔNICA.

 AMOR LITERÁRIO. 


   O primeiro presente de que tenho lembrança de ganhar é de uma caneta esferográfica, cor vermelha, na época era um presentão. O meu avô materno foi quem me deu. Amei-a tanto que comecei a rabiscar imediatamente, rascunhando em uma folha de papelão o esboço do que seria as minhas primeiras letras e desenhos. Não sei dizer o motivo que fez o meu avô presentear-me com uma caneta, fato é, que aquele simples objeto era algo extraordinário para mim. Nascia ali o amor pela escrita. Rabisque quase tudo, de papéis velhos a paredes, o que é claro deixava a minha avó muito irritada, essas e outras eu aprontava na casa dela, porém, ela nunca deixou de me incentivar e elogiar os meus garranchos.  

  Talvez a explicação para amar as palavras venha da minha mãe. Quando eu ainda era formado em seu ventre, ela passava horas e horas lendo vários livros, 'Sabrina' entres outros, de autores americanos, literatura de banca de jornal. Essa identidade literária foi passada para mim geneticamente. Quando ainda criança, um dos meus estranhos hábitos era o de comer jornal — é isso mesmo caro leitor — eu devorava jornais, tinha fome pelas palavras, literalmente. A paixão se intensificou quando fui para escola e descobri a beleza de ler e escrever. 

  Quando me mudei de Minas para São Paulo, um retorno para casa dos avós, descortinava-se um mundo novo diante de meus curiosos olhos. A escola, o colegial, a cada aula, a paixão pela literatura transformam-se em amor. Eu já ensaiava os meus primeiros versos nessa época, descobri Castro Alves, Fernando Pessoa, José de Alencar, Machado de Assis. Foi com esses gênios que o amor pela literatura e pela palavra escrita criou raiz na minha alma. Nascia os meus poemas embalados por Pessoa, também Álvares de Azevedo. Eu desejava ser como eles, imitá-los verso a verso. Ainda guardo alguns poemas. Versos simples, quadras rimadas, sonetos… Enfim, a cada poema eu queria mergulhar um pouco mais fundo. 

   Recentemente, ao fazer uma visita à casa de minha mãe, entre uma conversa e outra, lembrando de alguns momentos do passado, ela recordou-se de que havia guardado o meu primeiro caderno de poemas. Evidentemente eu não poderia deixar de implorar-lhe para trazê-lo aos meus domínios. Ela justamente estava esperando o momento certo de devolvê-lo. O caderno, na verdade, um livro ata, de duzentas folhas, está repleto de incontáveis poemas e pequenos textos, uma verdadeira pérola. Alguns dos poemas daquele livro foram reescritos em meus livros, outros ainda não foram retrabalhados. Desejo ainda extrair dali outras pepitas preciosas. 

   A literatura é o grande amor da minha vida e sempre será. Escrever é como respirar e comer, não consigo viver sem. Tenho alguns títulos publicados no Clube de Autores. Entre Romances, Contos, poemas, uma novela policial. Na gaveta tenho dois romances, um livro de contos e um de poemas. Todos esperando o momento certo de serem publicados. 

   Também em curso de escrita está a minha segunda novela. Talvez eu o termine ainda esse ano, não tenho pressa na escrita. Já tive muita pressa e afobamento no passado, hoje sei o quão essencial é saber usar o tempo a seu favor. A gaveta e o tempo são necessários para mim. Assim como o vinho ganha qualidade com o tempo, também as palavras.



( T. P )


O ESPELHO.

                  Do lado de dentro o vento está rugindo furioso, saindo para o lado de fora pelas frestas da janela.            Do lado de ...