domingo, 26 de abril de 2026

CULTO DE DOMINGO.

 



    Passos curtos, olhares atenciosos buscando alguém na plateia ainda pequena, parando, olhando para todos os lados, nos lábios o vislumbre de um sorriso, os olhos fixados em um determinado ponto, talvez o alvo, um aceno. 

    Aos poucos o lugar vai sendo tomado, bancos outrora vazios são preenchidos, famílias pequenas se encontram com outras maiores, os primeiros lugares são os preferidos da maioria dos jovens e adolescentes. O som da orquestra ecoa suavemente na preparação e afinação dos instrumentos, trompetes, trombones, violinos, flautas, entre outros, cada um atento à batuta do maestro. As mulheres desfilam pelos corredores com as suas melhores vestimentas e seus perfumes exagerados, já os homens, exibem os seus ternos elegantes e gravatas chamativas.

    O culto está prestes a começar.

    Aos poucos, o templo ficou cheio, sobrando espaço apenas nas galerias, os atrasados buscam os primeiros lugares, olhando, calculando, voltando para trás com faces não muito amigáveis. O grupo de louvor se posiciona na frente do púlpito, cada um com o seu microfone, os testes de som exaustivamente repetidos, tudo tem que estar na mais perfeita sincronia e ajuste, é um grupo numeroso e belo. O lado esquerdo de quem está no púlpito é reservado aos pastores, amplo espaço, que aos poucos é preenchido, a maioria chegando sempre atrasado. O lado direito fica reservado à orquestra, um espaço grande, com várias pessoas e seus variados instrumentos de sopro, cordas, todos atentos ao maestro.

   Quanto à orquestra, vale a pena mencioná-la.

    É formada por um grande número de irmãos, membros da igreja, jovens da mocidade, obreiros, mulheres do círculo de orações, integrantes do corpo de música e do coral. O maestro, com sua batuta em mãos, posiciona-se de frente aos músicos, a maior parte com os violinos, três deles com os violoncelos, uma parte com instrumentos variados de sopro, por sua vez, perfeitamente organizados, todos igualmente atentos ao ensaio. Os arranjos da orquestra acompanham os dois primeiros hinos da harpa, uma introdução é feita, essa por sua vez é qualquer coisa de extraordinário, simplesmente lindo. Algumas das vezes o maestro acompanha os hinos da mocidade, coral e do círculo de oração, também com arranjos e notas de tocar o mais endurecido dos corações.

    Dar-se início ao culto.

    O presidente inicia com uma breve oração, feita por um dos pastores, em seguida, dois hinos da harpa cristã são cantados, acompanhados pela orquestra em conjunto com o grupo de louvor. Após os hinos, segue a vez da mocidade louvar, seguida do círculo de orações. Após o toque dos louvores, um dos pastores traz uma breve saudação a pedido do presidente, enquanto isso, o imenso coral se posiciona para entoar o mais belo canto. O culto segue o seu curso, ofertas, avisos, o grupo de louvor cantando novamente antes do momento mais importante da reunião, a pregação da palavra. Em geral, um dos pastores do campo, previamente notificado, fica com a imensa responsabilidade de trazer a mensagem. Trinta minutos importantíssimos de exposição bíblica, silêncio e atenção. Cada um ouvindo e trazendo ao seu coração o que a palavra lhe falou ao mais profundo da alma.

     O culto tem o seu término com os avisos da semana e oração final seguida da bênção apostólica. 

     Certo é, caríssimos amigos, disso eu posso testemunhar, que jamais sai de um culto da mesma maneira que adentrei. O culto de domingo é maravilhoso, a igreja é um lugar onde você fala com Deus, e ele, de pronto, lhe responde das mais diversas maneiras.

      

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O ESPELHO.

    

    



       Do lado de dentro o vento está rugindo furioso, saindo para o lado de fora pelas frestas da janela.        

   Do lado de fora, o silêncio, quieto e contemplativo na própria solidão, observando as quimeras do pensamento.

       Quem é?

       Pergunta para si mesmo quem é o ser degenerado, enquanto do lado de dentro o vento sopra cada vez mais furioso.

     É necessário olhar para dentro, no âmago de si mesmo, talvez assim consiga enxergar o lado externo. Nem sempre o que está descrito no rótulo condiz com o conteúdo, então nos confundimos e ficamos sem saber se a verdade está no oculto lado de dentro ou na aparência externa.

        O reflexo no espelho… 

        A imagem refletida de alguém que se olha por muito tempo, estudando as suas feições sem nada dizer. Alguém tentando entender quem realmente é nesse mundo caótico, buscando a compreensão da sua natureza em meio a complexa natureza humana.

      É preciso olhar para dentro, olhar para o espelho da própria alma, ver o que será refletido de si mesmo, se esse rótulo expresso na curva dos lábios condiz com o que está escondido no interior, ver se a verdade se oculta do lado de dentro ou se está fora.

      A imagem refletida é de alguém que se descobre com regozijo ou de quem se esconde por medo?

        Corpos e formas não moldam alma e corações. Às vezes, a fraqueza se disfarça querendo se parecer com a força e a feiúra se veste com as roupas da beleza. 

     É preciso escutar o silêncio para ouvir a própria voz. Nem sempre a natureza humana vai nos sorrir, às vezes, ela vai nos esbofetear, então sentiremos dor sem saber onde dói, choramos sem saber de onde surgem as lágrimas.

         O reflexo no espelho…

      A janela da alma foi aberta pela fúria do vento, está chovendo do lado de dentro, molhado tudo do lado de fora. Não é sobre quem ele é ou quem ele foi, e sim no que se tornou. O espelho nunca mente, mostra o exato reflexo do que é revelado.


         

      

VERDADES CAMUFLADAS.

     "Onde estão escondidos os teus nobres tesouros? Veja que o cofre do teu peito continua inacessível, os teus olhares vagueiam solit...