domingo, 29 de maio de 2022

CRÔNICA DE DOMINGO.

 



                A ILUSÃO DO MELHOR.

   

   Trabalho, casa, descanso. É sempre nessa ordem, durante seis dias, período da tarde, das treze horas às vinte e duas e trinta. Uma folga por semana, na terça, a cada dois domingos trabalhados um de folga. Balcão de açougue é isso, cortar, arrumar, preparar, limpar, atender, e por aí vai. Parece fácil, interessante, até gostoso de se fazer, mas não é. O salário não é ruim, a empresa ( parece ) ótima, oferece alguns benefícios, ( por enquanto ) mantém bom plano de saúde, porém, o gerenciamento de todo o conjunto que isso representa é falho, não deveria de ser pelo nome que a empresa carrega, pelo contrário, antes de trabalhar ali imaginei que seria o exemplo de gestão e benefícios, pelo menos foi o que falavam, mas... Enfim, teve a ilusão de ser melhor em comparação ao antigo balcão de açougue.

    A minha rotina é simples, eu acordo cedo, às seis da manhã, a minha esposa também. São os compromissos impondo o ritmo, como a nossa filha estuda no período da manhã, esse é o horário que temos que deixar o melhor do sono e preparar o café dela, passar o uniforme, levá-la a escola. Dividimos a tarefa, o café e o lanche dela fica por conta da esposa, eu, me encarrego de passar o uniforme e de acompanhá-la até o portão da escola, que fica a cinco minutos de casa. Depois que retorno, dormimos um pouco mais, eu, precisamente até às oito e trinta, às vezes nove, para então dar cabo da outra parcela da rotina. Depois de levantar da pequena extensão do sono, após tomar o meu café, sigo com a ajuda nos afazeres domésticos até o horário de sair para o trabalho, que é exatamente às doze e quarenta, tenho que entrar às três em ponto, portanto, o meu local de trabalho é perto. O tempo que tenho em casa disponível até o horário de sair é curto, pode parecer que não, pois digo que é como uma sombra que passa e nem percebo, se durante o café eu me distrair nas redes sociais, complica todo o resto.

   Já no local de trabalho, coloco o uniforme, pego minha luva de aço, touca branca na cabeça, e vou para o relógio de ponto registrar a entrada. No local de trabalho, cumprimento os colegas do turno da manhã, três ou quatro dependendo do dia. Eu e mais dois entramos, ou somente mais um comigo, também vai depender do dia, rendemos os amigos para o almoço. Temos exatamente duas horas até eles retornarem. Nessas apertadas duas horas, temos que dar conta de repor todo o balcão, que é enorme por sinal, controlar o fluxo de atendimento, fazer produção de bandejas, quando possível, limpar a bagunça deixada por eles, e alguns outros afazeres. Duas horas depois eles retornam e nós saímos para o intervalo também de duas horas. Quando voltamos, eles que entraram às seis e sete e meia, vão embora lá pelas dezessete e trinta da tarde e ou dezoito. Nós seguimos o curso do turno até o fechamento. E novamente toda a sistemática da rotina se repete. Repor o balcão, fluxo de atendimento, que é sempre maior da tarde para noite. Ou seja, é muito trabalho para poucos funcionários, seria necessário mais dois em cada turno para ficar em equilíbrio, no mínimo, mas, como eu disse no início. Problemas de gestão e falta de vontade dos mandatários maiores.

    Por isso as minhas rotinas não divergem muito, é a mesma coisa de todos os dias, com picos frequentes para pioras. Basicamente é isso amigo leitor. Nas próximas crônicas relatarei pormenores do dia a dia em si, os desafios que enfrento na minha interminável e exaustiva labuta diária.

   




domingo, 22 de maio de 2022

CRÔNICA

 



       ROTINAS INTERMINÁVEIS.


   Intensa semana em que o tudo representa o nada, a totalidade das coisas são enfado e cansaço. A rotina de todos os dias impõe o seu fardo pensado em ombros desnudos e machucados. Não há o que se fazer a respeito, é praticamente impossível mudar algumas realidades. Os dias se amontoando, afazeres que se repetem, dificuldades cada vez maiores, dúvidas intermináveis, o mundo gira em uma velocidade assombrosa. Não temos tempo suficiente para raciocinar, por fim, tomamos decisões erradas, caminhamos por estradas tortuosas, impiedoso, o tempo não permite retorno para determinados acontecimentos. Os ombros desnudos e já calejados, sangra um pouco mais, gotejando por onde passamos.

     A minha rotina é odiosa, sempre a mesma coisa, todos os dias e o ano inteiro. Os únicos momentos diferentes e agradáveis são os que passo com a minha esposa e filha, ainda sim, o monstro dos afazeres diários engole fatias generosas de nossos momentos. Uma pequena fração em escassos minutos, dedico a literatura, outra paixão. Mesmo a literatura sendo dividida entre escrita e leitura, não é nada do que eu pretendia, porém, a vida tem o seu preço a cada alma. Por isso, me submeto à condição humana da interminável labuta diária.

       Mesmo com os ponteiros do relógio correndo apertados, encontro "tempo" para minhas leituras, e quando posso divido com vocês leitores, algumas impressões dos livros que li, como o que vou mostrar agora. O livro, ( Cavalo de tróia, lido não tão recentemente ), do autor, J.J. Benitez, narra uma incrível aventura, e como eu gostaria de ser o protagonista dessa aventura, se é que posso chamá-la assim. O livro, neste primeiro volume, fala de uma operação secreta da força aérea americana que, ao descobrir um modelo seguro de viagem no tempo, cria, em 1973, uma operação, denominada cavalo de tróia, para acompanhar os últimos dias de Jesus Cristo na terra. A parte inicial deste primeiro volume, é contada pelo próprio J.J. Benitez, onde ele descreve como conseguiu se encontrar com o major americano e conseguiu os seus diários pessoais, de onde origina-se o conteúdo do livro. No decurso desse calhamaço, temos a narrativa de Jasão, codinome do major, que volta no tempo, no modelo de uma, por assim dizer, nave, chamada de 'berço'. E junto com seu colega, Eliseu, ambos voltaram a época de Jesus Cristo,  presenciando os fatos mais marcantes de sua vida. Jasão, foi escolhido para a missão devido ao seu ceticismo e imparcialidade, mas ao encontrar-se com Jesus, é tocado profundamente por sua mensagem. O livro nos fornece dados da sociedade da época: seus costumes, as leis, crenças, ( judaicas e pagãs, bem como geografia e ambiente). A narrativa refere-se, na sua grande maioria, à vida do mestre, narrativa essa, que contrapõe em partes com o que foi descrito pelos evangelistas no livro sagrado, não desmentindo o que os evangelistas escreveram, mas, apontando para dados deixados de lado pelos mesmos. O livro, na visão do major, fala de uma mensagem deixada por Cristo, falando do pai - sempre bom - Um Deus que não requer templos e rituais, mas o amor ao próximo. Quanto à veracidade dos fatos no livro, fica a critério de cada leitor - segundo o próprio autor - a história é real, no entanto, real ou não, é sem dúvidas um livro extraordinário.

    É nesse tipo de leitura, caro leitor, que me desligo da dor do mundo, das aflições diárias, das dores na alma. Quando estou lendo me transfiro para a história contada, vivo aquilo como se fosse real. É assim que suporto as dores da existência desse tempo tenebroso a qual vivemos. Considere a possibilidade de tais aventuras.





SEGREDOS.

     CONTO.     Manhã calma e silenciosa...     Figuravam ainda as primeiras horas do primeiro dia da semana, o sol riscava o horizonte com ...