domingo, 27 de março de 2022

CRÔNICA DE DOMINGO.

 



                      TUDO É MOMENTO.


   Acordei às seis horas da manhã, é parte da minha rotina nesse novo ano. A escola da minha filha fica a cem metros de casa, o que me permite levá-la sem carro. Minha esposa também ajuda, na verdade, ela é quem levanta primeiro e prepara o café. Um pequeno lanche e  achocolatado para acompanhar, é nossa rotina de todos os dias. Terminado de fazer o lanche, minha esposa volta a dormir, é nesse ponto que eu entro em cena, minha parte é levar minha princesa até a porta da escola. No retorno eu tomo caminho da padaria, que é perto, relativamente à mesma distância da escola, só que no caminho contrário. Vou a passos lentos.

   Compro sempre três pães, não mais do que isso, é sempre a mesma quantidade todos os dias. Essa passou a ser outra rotina. Nesses pequenos trajetos gosto de ficar observando as pessoas, seus rostos, fisionomias distintas, cada um a seu jeito. Sorrisos e gentilezas de uns, rostos fechados de outros, cada um à sua maneira. A padaria é o ponto de encontro de muitas pessoas, algumas prontas para o trabalho, passam, trocam meia dúzia de palavras e saem, outras estão retornando, essas, desejam apenas um café e irem logo para suas casas descansarem.

   Retorno para casa a passos lentos, a cabeça martela muitos pensamentos aleatórios, lembranças de tempos passados, vivências que eu desejaria muito que voltasse. Porém, o tempo não para, não volta atrás, é sempre contínuo e constante. Houve uma época em que eu trabalhei em uma metalúrgica, há alguns anos atrás, nessa época, quando eu saía do turno da noite, fazia a mesma rotina que muitos fazem hoje na padaria mencionada. Observando-os, vejo quanta falta faz àquilo que na época me parecia tedioso. É natural de nós seres humanos, falhas criaturas, desprezamos o momento presente, para no futuro, em outras situações, percebermos o quanto perdemos.

   Quem me vê caminhar, a passos contados, nota que não estou bem. Não é exatamente um problema de saúde, dor ou coisa do tipo - embora, verdade seja dita, estou sim doente e com dores, mas não quero falar sobre isso agora - Acontece que meus problemas são de ordem psicológica, interna, está lá no mais profundo, no âmago da alma. É uma dor diferente de todas que já senti, é uma sensação estranha. Às vezes, eu olho para as pessoas, as coisas, é como se nada disso estivesse ali... Eu sei que é maluquice, mas é assim que eu me sinto.

   Chego em casa e deixo os pães na mesa da cozinha e volto para a cama na intenção de aproveitar um pouco do que restou do sono. Logo mais terei que me levantar, e outra tediosa rotina acontece. Todos os dias sempre a quase insuportável repetição. No entanto, não posso reclamar, ainda que a vida em si, a minha, pareça estar à beira do abismo em todos os aspectos que vocês puderem imaginar, tenho que viver como se tudo estivesse perfeitamente bem. Essa falsa alegria, o falso sorriso, minha falsa maneira de viver alegre está prestes a mudar, eu sei que sim. Mesmo porque, tudo é momento, nada dura para sempre.



domingo, 20 de março de 2022

Crônica de Domingo.

 


                FANTASMAS LITERÁRIOS.


   Não é algo fácil começar uma crônica, buscar o assunto certo, colocar as palavras que estão vagando lá dentro para fora. Expressar o mundo interior em um curto espaço que é o disponível neste amado gênero tão brasileiro. Dizendo assim parece simples, mas acredite, não é... Acontece que esse mundo aqui dentro pertence ao ficcionista, o romancista, não ao cronista. Basicamente quem trabalha com esse tipo de texto tem de ser conciso, trabalhar em assuntos que versam com acontecimentos do presente e deixar de lado os muitos personagens que ficam gritando o tempo dentro da cabeça, dizendo mil coisas. Parece loucura o que estou dizendo, e na verdade é, porém, é um terrível privilégio esses fantasmas literários.

    Voltando ao tema da crônica, não sei, ou melhor, não tenho a mínima ideia do que eu vou falar. Todos os possíveis assuntos me parecem tão repetitivos, como se eu estivesse dizendo a mesma coisa sempre, um papagaio tagarela. Apesar de que o mundo não me oferece muitas opções; guerra, política, corrupção, eleições, enfim, temas nada agradáveis de se digerir, há quem goste, quem escreva sobre esses assuntos, e  admiro muito cronistas políticos, artigos de geopolítica, economia. Embora a mídia seja um prato cheio para se beliscar, do outro lado, termina por oferecer pratos tão mais corrompidos quanto os assuntos abordados. Basta assistir o primeiro noticiário e pronto, nada de novo debaixo do sol, todos os outros falaram a mesma coisa em momentos diferentes. A pauta é sempre a mesma para todos, mudando somente a ordem. Por esse motivo não gosto de ficar falando sobre tais assuntos.

   Não sei ainda o que dizer, na verdade eu quero escrever sobre qualquer assunto aleatório, sem temas específicos.

   Talvez eu diga sobre os sentimentos do coração.

... Confuso e teimoso coração que fica vagueando sem saber o seu destino, marinheiro dos sentimentos alheios, buscando mares nunca antes navegados. Sou uma vítima desse torturador de almas, carrasco e algoz, sempre machucando o peito em badalas desconcertantes. Talvez eu seja um eterno sofredor, derramando lágrimas por onde passava, espalhando os seus rastros de solidão e palavras aleatórias, talvez... Sou intenso na medida do próprio desespero existencial, buscando o incompreensível. A vida se tornou em uma eterna procura de qualquer coisa impossível de se achar. O coração é cheio de mistérios, terra de ninguém como dizem por aí. Será mesmo? Fico pensando nestas coisas, sentimentos que nascem repentinamente, bastando um olhar, um sorriso, ou a sonoridade da voz. Eu já busquei compreender esse órgão que batalha dentro do peito, quantos não foram os poemas em que me debrucei na tentativa de entendê-lo... Foi em vão, eu sei, por mais que eu me esforce, e coloque todo o meu intelecto na tentativa de esquadrinhá-lo, percebo como estou sendo feito de tolo, por fim, termino como dominado ao invés de dominador. A palavra é a ilusão de que se tem uma saída, quando na verdade não há...

   Esse é o tipo de texto, palavras vagando dentro de mim nesse momento. Nada do que pede uma autêntica crônica. Enfim, hoje, por não ter exatamente um assunto definido para lhes oferecer, acabei por ficar - como se diz no ditado popular - enchendo linguiça. Espero que na próxima semana esse tagarela tenha assuntos mais robustos para vocês.


domingo, 13 de março de 2022

CRÔNICA DE DOMINGO

 


         " MAIS ATITUDES E MENOS PALAVRAS".


"Não sei mais o que fazer para agradar a pessoa amada".

Quem nunca escutou essas palavras, seja de um amigo, colega de trabalho, na faculdade, enfim, em algum momento da vida você já escutou essas 'reclamações', se é que posso definir desse modo. Outra frase clássica é a seguinte: "Eu faço de tudo e não sou reconhecido e nem valorizado".

Tornou-se comum tais frases e outras tantas mais. Porém, quero deixar bem claro que minha abordagem é apenas uma análise de fatos ocorridos para ambos os lados. Estou me baseando nas palavras que muitos homens escutam das suas mulheres. Eu mesmo sou um entre tantos anônimos. ( Não escutamos por sermos injustiçados, mas, por que erramos e não percebemos nossos erros).

Permita uma explicação breve, dos pecadores, sou muito mais dos que erram, por falta de atitudes do que os que erram pelos excessos. A coisa é simples de entender, existem dois tipos de pessoas. As que erram tentando acertar, e as que erram por errar. No final das contas são todos igualmente pecadores, navegantes no mesmo mar de erros. Quando falamos de erros, em geral é mais cômodo apontar o dedo para frente do que para si mesmo. Hoje vou fazer diferente, o meu dedo está acusando aquele cara refletido no meu espelho.

A segunda frase da crônica entre aspas é complemento da primeira. Então, o certo seria dizer: "Eu faço de tudo e não sou reconhecido e nem valorizado, não sei mais o que fazer para agradar essa pessoa". Veja que a amada foi retirada da frase, não por esquecimento, mas por ser exatamente assim é que eu a escuto com frequência. Quando digo escuto, é porque sou o enquadramento do pecador que erra por ser um completo incompetente... É isso mesmo que você leu, caríssimo leitor. Farei desse texto meu chicote de flagelo.

Não sou o tipo de esposo que chega tarde em casa, não sou dado a bebidas, não tenho vícios com cigarros e nada do tipo. Sou o tipo de pessoa que conhece apenas o caminho do trabalho para casa. Não sou de sair com amigos para o futebol, nem pescarias. Sou extremamente caseiro. Quando posso, ajudo na casa, cozinhando, lavando louça, o básico. Para muitos não há nada de errado nisso.  O meu único passatempo é a literatura, meu ofício de escrever e de ler. Então você me pergunta: " O que há de tão pecador e errado nisso?". Tudo... Na ótica conjugal 'tudo'. Já explico.

O fato de garantir o sustento da casa, pagar as contas, não ser dado a bebidas e tal, não é o suficiente, acredite... Não é. Temos que ser muito mais. A mulher deseja ser surpreendida, amada, valorizada como ele merece ser. Às vezes, somos levados a um comodismo perigoso, nós esquecemos de coisas pequenas que fazem toda a diferença. Uma rosa, um perfume, levar ao restaurante, não se esquecer de datas. Enfim, são tantas coisas que poderíamos fazer e não fazemos que isso vai deteriorando o casamento. Eu poderia dizer muito mais coisas, porém, cada um tem a sua realidade, e, mais do que dizer é fazer. Aprendi que as pequenas atitudes são mais poderosas do que mil palavras de amor. Perfeito nós não somos, por isso, nos esforçamos para uma melhoria contínua em nossos relacionamentos.





O ESPELHO.

                  Do lado de dentro o vento está rugindo furioso, saindo para o lado de fora pelas frestas da janela.            Do lado de ...