domingo, 17 de abril de 2022

CRÔNICA DE DOMINGO.

         



           A HISTÓRIA DO PUDIM QUE EXPLODIU.


    Na minha modesta opinião, a culinária de nosso país é uma das mais ricas de todo o mundo. O motivo é que o povo brasileiro foi formado por uma mistura de raças e cultura de outros povos que no passado vieram para o Brasil. Crescia no  solo pátrio abundante riqueza, em todos os aspectos, uma das mais notáveis talvez seja a gastronômica. Temos bom gosto quando o assunto é 'comida'. Os nossos restaurantes e chefes culinários estão entre os melhores. De um simples prato do dia a dia a sofisticação dos grandes restaurantes, em nada ficamos para trás. Basta trazer pessoas de outros países para degustar as especialidades em nossos restaurantes que o resultado vai ser inesquecível para o visitante, digo sem sombra de dúvidas. É claro que muitas outras nações também são gigantes na arte de cozinhar, mas, como bom patriota que sou, tenho que defender e enaltecer nossa exuberante e magnífica cozinha, que, me atrevo a dizer, está entre as primeiras do planeta gastronômico.

     De Norte a Sul do país temos pratos que figuram entre os mais conhecidos, como exemplo da Feijoada, moqueca, acarajé, pato no tucupi, tacacá, baião de Dois, arroz com Pequi, arroz Carreteiro, feijão Tropeiro, paçoca de Carne Seca, barreado, galinhada, frango ao molho pardo, virado à Paulista, camarão na Moranga e por aí vai a lista, me foge o nome de tantos outras delícias. Cada Estado traz o seu próprio universo de opções de dar água na boca. 

Tempos atrás, eu participei de uma festa onde havia barracas com comidas típicas de cada Estado brasileiro, cada barraca apresentou, 'algumas', das comidas típicas dessas localidades. Foi sem sombra de dúvidas qualquer coisa sem palavras para explicar, confesso que fiquei perdido, boquiaberto com tanta coisa gostosa, o aroma era arrebatador, a beleza de cada prato uma obra prima da arte culinária. Naquele dia aproveitei ao máximo, comendo um pouquinho aqui e alí, ainda faltou algumas opções a serem degustadas, mas, eu estava tão cheio que não cabia mais nada. Que festa maravilhosa foi aquela...

    A arte de manipular os alimentos de modo a transformá-los em delícias vem do berço. A avó ensina para a mãe que ensina para a filha e assim por diante. Minha avó é uma cozinheira de primeira linha, descendente de italianos, aprendeu e ensinou várias das receitas de família. A minha mãe, por sua vez, aprendeu e ensinou à minha irmã várias receitas. Muitas ela aprendeu, outras, razoavelmente, mas, uma delas, na primeira vez que ela fez, meu Deus! Foi um desastre... É justamente a receita que deu título a crônica deste domingo. 'A história do pudim explosivo', é exclusividade da minha irmã. É isso mesmo que você está pensando, caro leitor, o pudim que minha irmã fez, seguindo toda a receita cuidadosamente, ao final, quando ela foi desenformar, ele simplesmente explodiu... Sim, explodiu... Que sujou toda a cozinha. Aquilo foi algo inacreditável, é claro que depois ela acertou e fez outros que ficaram perfeitos. Já o primeiro... Foi trágico, sempre me recordo do episódio quando me deparo com um pudim. Eu não mencionaria a história aqui, mas, eu não resisti, desculpa aí maninha, você sabe o quanto te amo.







domingo, 10 de abril de 2022

Crônica de domingo

 



DESISTIR JAMAIS.


    Trabalhar com o público é um grande desafio, um dos maiores eu diria. Não é nada fácil se despir de todos os seus problemas, dificuldades, dores, incertezas, angústias, colocar um sorriso largo no rosto e atender o seu cliente como se você fosse a pessoa mais feliz da face da terra oferecendo o melhor produto do mundo. Nem sempre, o que você está oferecendo é assim tão bom, no entanto, você tem que fazer parecer que é. As suas palavras, os seus gestos, todo o teu ser tem que passar para o cliente a confiança de que aquilo, ou aquele produto, é simplesmente sensacional.

    Durante muitos anos eu trabalhei em indústria, em uma metalúrgica para ser mais específico. Foram quinze anos em uma fábrica que produzia alumínio. O ritmo e a sistemática de uma fábrica é muito diferente de quem trabalha em comércio com público. No meu caso, eu trabalhava em turnos de seis por dois, ininterruptos.  Com uma equipe de doze pessoas que eram divididas nas tarefas relacionadas à demanda do dia. Não tínhamos que lidar com público, nem ter que oferecer nada para ninguém. Na maioria das vezes eu apenas eu em uma determinada máquina, o turno todo. 

    E claro que, o ambiente de uma fábrica não é dos melhores, em cada segmento tem os seus desafios e desgostos. Na época eu não tinha a compreensão nem a experiência de vida que tenho hoje. Se eu tivesse a mente de hoje naquele corpo jovem e saudável talvez eu teria ido muito mais longe. Mas, nem sempre as coisas são do jeito que queremos. Porém, hoje percebo quanto tempo eu desperdicei. Quantas não foram as oportunidades que deixei passar, se fosse possível voltar no tempo, mas, o tempo... O tempo é como um rio, não volta atrás.

    Depois que fui desligado da antiga empresa fiquei por dois anos parado, outra parcela de tempo perdido que não será possível recuperar. Devido a um processo trabalhista que abri contra a antiga empresa, fiquei com medo de ter um trabalho com carteira assinada e isso influenciar no ritmo do processo, tolo que fui, o processo simplesmente estagnou. Agora, está a passos de tartaruga, e sabe lá quando vou ter um resultado favorável dessa dura batalha. Foi então que depois de dois anos retornei ao mercado de trabalho. Meu antigo ofício, que aprendi quando adolescente, valeu para que eu conseguisse me recolocar profissionalmente.

    Três anos trabalhei em um supermercado, balcão de açougue. Saí recentemente, estou a seis meses em outro supermercado, novamente, balcão de açougue. Não é o tipo de profissão desejada, pelo contrário, ninguém quer, no entanto, não é uma profissão que se paga tão ruim assim. Trabalha-se muito, público exigente, labuta exaustiva e interminável. É sempre a mesma coisa todos os dias. O desafio maior talvez seja o de ligar com as pessoas, sorrir para elas quando na verdade a vontade é de chorar. Enfim, nada é tão fácil como, às vezes, se parece e nem tão difícil que não possa ser feito. Dedicação e amor é o segredo dessa profissão tão singular como é em qualquer outra. O segredo é não desistir jamais.

domingo, 3 de abril de 2022

CRÔNICA DE DOMINGO.

         



            O SEU E O MEU DIREITO DE DIZER.


Dialogar ideias nunca foi tão perigoso como está sendo agora. Vivemos em uma época em que a simples manifestação de pensamentos tornou-se um risco iminente à integridade moral e por vezes até física. É necessário ter cautela em certas afirmações e posicionamentos, visto que, certas ideias não serão aceitas por outros, que impedirão o livre direito do outro de dizer ou até mesmo discordar da opinião contrária no que desrespeito aspectos sócio cultural. Veja que iniciei o texto com a palavra, "dialogar", e não, "discutir", ou seja, trocar, civilizadamente informações sobre acontecimentos ou assuntos sejam quais forem, notícias, política, arte, enfim, uma boa e velha conversa sem o medo de ser enxotado ou mesmo agredido. 

A coisa está a um nível tão crítico que, às vezes, tenho medo de simplesmente dizer ou apontar um direcionamento para alguém na rua, como por exemplo: 'Olha amigo, vá para a direita ou para esquerda'... A simples menção das palavras citadas, (direita) e (esquerda), em determinados momentos pode trazer transtornos terríveis. Piada a parte, parece absurdo o que estou falando, porém, não é nada fora da realidade considerando tudo o que já tá acontecendo. Vivemos em uma sociedade totalmente diferente nesses novos tempos, os valores que em outros momentos eram tão almejados,  agora, foram abandonados e considerados agressão à liberdade de escolha de alguns grupos.

Eu quero acreditar que existe uma luz no final desse túnel escuro, quero muito acreditar nisso, mas... Ao que parece a extensão do túnel é interminável, não há nenhuma possibilidade nem que seja a mais remota de um resquícios de luz. Vivemos na mais completa escuridão, em todos os sentidos e segmentos. Quantas não são as atrocidades praticadas diariamente sem que ninguém tome uma atitude para frear os absurdos. A natureza humana destas últimas décadas tornou-se mais leviana e caída do que a destruída em Sodoma e Gomorra. O homem está embriagado com o vinho de sua insana rebeldia, andando por aí, cambaleando, atentando contra a moral e os bons costumes enquanto a grande maioria dos demais terráqueos estão apenas assistindo o caos sem poder e  querer fazer alguma coisa. Basta apenas você ver em qual lado se encaixa. Ou é dos que não pode, por inúmeros motivos que não vou mencionar aqui, ou dos que não quer, também por outros tantos motivos obviamente claros.

Alguns homens me dão medo, por exemplo: quando me perguntam sobre política, em qual opção é a melhor para o Brasil, fico, por uns segundos, em modo analítico, suspenso, sem saber o que dizer, tentando entender quem me questiona para então responder sem o perigo de ser "esculhambado", sim... Digo exatamente pelo fato de já ter passado por essa situação desagradável, exatamente quando tentei 'dialogar' quando a outra pessoa queria, na verdade, apenas uma discussão ríspida e até agressiva.

... Posso até não concordar com o que me dizem, mas... Defenderei até a morte o seu direito de dizer... Levo esse princípio filosófico comigo. O sentido mais profundo e amplo desse pensamento é o diálogo, civilizado e amigável, independente da posição ou do assunto abordado.





O ESPELHO.

                  Do lado de dentro o vento está rugindo furioso, saindo para o lado de fora pelas frestas da janela.            Do lado de ...