domingo, 20 de fevereiro de 2022

Crônica de Domingo.

              



                         RECORDAÇÕES.


   Quero apenas as lembranças da minha infância, e as ter diante dos olhos como miragens que surgem e depois desaparecem. A simplicidade das coisas é tão mais importante do que as complexidades do mundo, meu olhar é de poeta, só se pode compreendê-lo na perspectiva de uma criança. As pessoas perderam mais do que ganharam. Perderam a inocência, a pureza, deixaram de ver e de sentir. Os seus mundos tem a cor cinza, não há flores e nem pássaros cantando nas janelas. Quisera eu que as coisas que vejo de fora tivessem a grandeza das que mora dentro de mim.

   Quero apenas as lembranças da infância. Fazenda Lindóia, meu reino encantado que já não existe mais. Que saudades tenho de todas as coisas que vivenciei. Que saudades tenho das manhãs e dos passarinhos, do cheiro das flores, do pé de pitanga carregado, o balanço amarrado aos galhos. Tudo ainda está aqui dentro do peito, trancado no cofre da saudade. Quando estou cheio de tudo, me tranco em mim mesmo, pego a chave do cofre escondida no seio da alma e me tranco lá dentro. Passo horas e horas de olhos fechados para mundo e coração aberto para as recordações.

   O mundo é tão cheio de medo, de homens uniformizados, faces carregadas de rancor, cuspindo desaforos e regras sem sentido. E passam o dia desejando a ilusória fumaça do poder. Lutam por um pedaço vil de papel, dão a este papel, mais valor do que as flores. Desejo mais as abelhas do que papéis. O mundo se tornou opressor, sem sentido, caminhando como bêbados em noite escura. Raramente vejo sorrisos, o que se vê são apenas máscaras e homens sem face. Olhares presos em aparelhos de inutilidades. Por isso acredito que tão mais feliz seria se fossemos pássaros do que reis de gaiolas douradas.

    O mundo vive para o trabalho, e o trabalho escraviza o homem. Acordar muito cedo, água no rosto, engolir o café sem ao menos sentir o sabor. Sair como louco, feras na selva de pedra em busca da caça. Autos girantes desgovernados pelas avenidas, sinais, motos, buzinas. O homem deste tempo não encontra mais o seu próprio tempo. Aquele espaço de minuto, ainda que seja pouco, para olhar para si mesmo. A maior riqueza não está do lado de fora, não é o número da nota, nem a marca do carro, tão pouco no cargo que tem na empresa. 

    Quero apenas lembrar da infância, nada mais importa. Desejo ainda o tempo de pescarias, nadar nos ribeirões, correr descalço na terra vermelha, caminhar pelas matas. Quando criança eu passava horas olhando o horizonte em um fim de tarde. O sol deitando atrás do morro, as nuvens em brasas Enquanto nas copas das árvores os pássaros se despediam do dia com sonoras notas harmoniosas. A noite então surgia devagar, escalando o céu, os seres da noite surgiam, e tudo era tão mais belo e grandioso. Agora entendo tudo, o motivo do homem ser convidado a se retirar do Paraíso... Ele preferiu as coisas sem sentido, belezas transitórias e prazeres fúteis do que a simplicidade de uma beleza eterna e de um gozo infinito escondido bem diante de seus olhos.



  


terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

RESENHA.

   



APÓCRIFOS E PSEUDO-EPÍGRAFOS DA BÍBLIA. 


Há um ano atrás, iniciei a leitura do primeiro volume dos Apócrifos e pseudo-epígrafos da Bíblia sagrada. Foi um período intenso, de descobertas maravilhosas nas 881 páginas deste fantástico livro. Os apócrifos são livros escritos por comunidades cristãs e pré-cristãs, nos quais os líderes e a comunidade cristã não se reconhecem como Escritura Sagrada e, portanto, não foram incluídos no cânon bíblico. 

Resumir resenhar cada livro desse primeiro volume seria escrever outro, tamanho o volume que teríamos. 

O primeiro volume é dividido em cinco partes. A primeira parte, contém os textos Judaicos e Pseudo-Epígrafos, com livros, de " O primeiro livro de Adão e Eva, livro de Enoque ao livros dos Jubileus''. Contando mais de trinta livros somente nessa primeira parte.

A segunda parte fala dos livros da infância de Jesus ao Evangelho Pseudo-Tomé, que também contém narrativas da infância do Salvador.

Na parte três, temos os Evangelhos, Apócrifos. Que vai de Tiago ao Evangelho Valentino, contando mais de doze livros, tendo entre eles a descida de Cristo ao inferno ( Versão Grega e Latina ).

Na parte quatro, a mais extensa, temos as epístolas. Que tem início com o ciclo de Pilatos ao Didache, "O ensino dos doze Apóstolos". Somando quase quarenta livros. 

A quinta e última parte fala dos Apocalipses. Contendo sete livros apocalípticos. Baruch, Adão, Abraão, Moisés, Elias, Pedro e Tomé. 

Alguns livros são enormes, de leituras maçantes, já outros, leves e de fácil compreensão.

Os apócrifos são o resultado da tradição oral dos primeiros crentes da era cristã, tornaram-se importantes documentos reveladores do modo como vivia e pensava uma grande parcela da cristandade, cuja voz foi abafada pela igreja oficial. Reunidos em três volumes, com inúmeros livros em cada, temos a oportunidade de aprender um pouco mais da Cultura da época. Aconselho e encorajo aos amantes da leitura essa fascinante jornada nas páginas destes preciosos documentos históricos. 

Sigo agora no início da minha segunda fascinante viagem no segundo tomo. O meu desejo era detalhar cada livro, resenhar a riqueza de cada um, mas, como seria um árduo e massante trabalho, não o fiz. Minha esperança é que o seu interesse desperte e que comece o quanto antes essa grande jornada.

domingo, 13 de fevereiro de 2022

CRÔNICA DE DOMINGO.

 



     LETRAS TRAIÇOEIRAS EM NOITES ESCURAS.

    Estou completamente vazio, sem ideias. Nenhum resquício de pensamento ou qualquer coisa válida que se possa comentar. Não é comum, isso lhes garanto. Tão pouco é falta de inspiração, na prosa, principalmente na crônica, trabalhamos com os prazos, literatura sob pressão, inspiração é campo da poesia. Acontece que os dias têm sido difíceis, para não dizer insuportáveis, posso até estar sendo exagerado, dramático demais como diz minha amiga de trabalho, Vanessa. Até concordo em certos pontos, porém, a coisa toda é bem mais complexa, profunda, envolve sentimentos, dor, decisões, tantas coisas que não sei nem por onde começar.

   O que quero tornar evidente para todos é o meu descontentamento, com tudo, com o curso da minha vida até o presente momento. Não sei exatamente o que dizer quando me perguntam sobre planos e tal... Fico sem resposta, ou, com um nó cego na garganta com essa falta de perspectiva e possibilidades. Que o mundo está um caos não é novidade, pelo menos para aqueles que realmente conseguem enxergar as coisas como realmente são. Desejei o que jamais pude ter, é tão verdade que por esses devaneios psicológicos me tornei poeta também. Mas até nisso me decepcionei.

   Falando assim, a primeira impressão que fica é de que sou um pessimista, catastrófico e tal, talvez eu seja mesmo, confesso, mas... Cá para nós, com o mundo na atual situação, não é para menos. Há momentos na vida em que tudo parece dar errado, é aquela situação de quase desespero. Pois bem, caríssimos amigos, me vejo em uma situação semelhante. Trabalho, casa, negócios, finanças, enfim, não consigo acertar nenhuma flecha no alvo. Quando eu chego nesse patamar de tristeza profunda, me entrego de corpo e alma a literatura - é minha válvula de escape - crônicas, poesia, prosa. Me derramo por completo, porém, neste momento, estou em um deserto das próprias palavras. Letras traiçoeiras em noites escuras.

  E por falar em "noites traiçoeiras", esse é o título do meu novo romance, estou perto da conclusão, mas... É justamente esse final que está enroscado. Talvez eu demore algumas semanas para finalizar. Eu tenho outros trabalhos em andamento, poesia por exemplo. Todos esses livros, depois prontos, são postados na plataforma de escrita do wattpad, aqueles com contas por lá é só procurar por ( Macedo Pena ) e você terá toda a lista de meus livros. Tenho outros projetos literários em mente, para um futuro próximo, pelo menos assim espero, como dito anteriormente, sou constantemente solapado por crises depressivas. Crises essas cada vez mais frequentes.

    Outra ocupação que traz equilíbrio na minha vida, o que me dá tanto prazer quanto escrever, é a leitura. Tenho que ler todos os dias. É como tomar café, almoçar e jantar. Atualmente estou lendo cartas de um diabo ao seu aprendiz. De C.S Lewis, livro maravilhoso, é o que eu posso dizer, depois de concluir a leitura talvez eu lhes traga uma resenha. Enquanto o mundo caminha a beira do abismo, prestes e despencar, nós, meros mortais, seguiremos as nossas vidas tranquilos, como se nada estivesse acontecendo. A exemplo dos músicos no filme do Titanic, tocando suas belas canções em meio ao caos.


O ESPELHO.

                  Do lado de dentro o vento está rugindo furioso, saindo para o lado de fora pelas frestas da janela.            Do lado de ...