domingo, 15 de agosto de 2021

CRÔNICA.

 QUERO RESULTADOS E NÃO ENROLAÇÃO. 


   O que dizer de um grupo de pessoas designadas para julgar 'outra', pessoa — se é que os senhores me entendem… Sim, na minha concepção é o que está se desenrolando no momento. Pessoas que estão respondendo a mais de um processo na justiça, tendo parentes e amigos próximos encarcerados por corrupção, e os indivíduos só não foram presos por terem foro privilegiado. Esse grupo se encarregou de julgar todo um sistema organizacional, com a premissa dos mesmos estarem omitindo ajuda eficaz e precisa contra uma das maiores ameaças dos últimos anos. 

   Segundo eles, o que foi efetuado não combateu a crise que se instalava e se generalizava, e sim, incompetentemente, atrapalhou aqueles que se diziam aptos a lutar contra o problema. 

   Existe muita informação contrária e mentirosa aí, analisada descuidadamente. Não sou especialista no assunto, é tão pouco estou defendendo esse ou aquele. O que quero, é o que todas as pessoas de bem também querem. A verdade por trás dos fatos, sem politicagem, sem mentiras, sem palavrões contra quem quer que seja. 

   Era de se imaginar que após o surgimento das primeiras vacinas, haveria uma evidente corrida de todos os países para obtê-la o mais rápido possível. Não foi um único fabricante, mas vários. Vacinas essas aprovadas em caráter emergencial no combate ao vírus. Produto no mercado, oferta na mesa. Começava uma verdadeira caçada para conseguir o maior número possível de doses. Ouvi muitos colegas de redação dizer que não importava o preço, o importante era comprar logo antes de ficar sem. Ou seja, compre primeiro, depois veja quanto pagou… 

    Nessa guerra global contra esse inimigo invisível, houve aqueles que tentaram outros métodos através de medicamentos, com base na palavra de determinados especialistas. Métodos esses que ajudariam no combate, não que venceria a guerra, no entanto, era um ótimo aliado na luta. 

   É justamente esse o coração do problema. Ao descobrir um medicamento que ajude na mesma proporção de porcentagem de uma vacina que, custa três vezes mais que o vendido na farmácia… Meu amigo… Evidentemente o vendedor do produto três vezes mais não quererá perder a maior fatia do bolo. 

   No meu modesto entender, o que deveria ter acontecido era uma junção de esforços entre medicamentos que auxiliaria essas vacinas, juntando forças para um bem comum. Foi mais fácil acusar um, incriminar outro, tirar da frente aquele medicamento ali, para assim beneficiar a escolha dos mais poderosos. O ingrediente final é trabalhar na desinformação, na mídia manipulada. Visto que, a maioria dos olhos que estão diante do televisor acreditam cegamente no que é dito. Pronto, tudo feito. 

   O foco do problema está sendo desviado. Julgados não são adequados para julgarem o que não existe. A força para construir o culpado está sendo tão maior quanto a força que foi empregada na criação da 'vacina'. Espero que essa CPI dê algum resultado satisfatório, e ajude verdadeiramente a nossa nação e nosso povo. De ladrões e mentirosos o Brasil já está cheio. Quero e desejo mais resultados e menos enrolação. 


domingo, 8 de agosto de 2021

CRÔNICA.

 AMOR LITERÁRIO. 


   O primeiro presente de que tenho lembrança de ganhar é de uma caneta esferográfica, cor vermelha, na época era um presentão. O meu avô materno foi quem me deu. Amei-a tanto que comecei a rabiscar imediatamente, rascunhando em uma folha de papelão o esboço do que seria as minhas primeiras letras e desenhos. Não sei dizer o motivo que fez o meu avô presentear-me com uma caneta, fato é, que aquele simples objeto era algo extraordinário para mim. Nascia ali o amor pela escrita. Rabisque quase tudo, de papéis velhos a paredes, o que é claro deixava a minha avó muito irritada, essas e outras eu aprontava na casa dela, porém, ela nunca deixou de me incentivar e elogiar os meus garranchos.  

  Talvez a explicação para amar as palavras venha da minha mãe. Quando eu ainda era formado em seu ventre, ela passava horas e horas lendo vários livros, 'Sabrina' entres outros, de autores americanos, literatura de banca de jornal. Essa identidade literária foi passada para mim geneticamente. Quando ainda criança, um dos meus estranhos hábitos era o de comer jornal — é isso mesmo caro leitor — eu devorava jornais, tinha fome pelas palavras, literalmente. A paixão se intensificou quando fui para escola e descobri a beleza de ler e escrever. 

  Quando me mudei de Minas para São Paulo, um retorno para casa dos avós, descortinava-se um mundo novo diante de meus curiosos olhos. A escola, o colegial, a cada aula, a paixão pela literatura transformam-se em amor. Eu já ensaiava os meus primeiros versos nessa época, descobri Castro Alves, Fernando Pessoa, José de Alencar, Machado de Assis. Foi com esses gênios que o amor pela literatura e pela palavra escrita criou raiz na minha alma. Nascia os meus poemas embalados por Pessoa, também Álvares de Azevedo. Eu desejava ser como eles, imitá-los verso a verso. Ainda guardo alguns poemas. Versos simples, quadras rimadas, sonetos… Enfim, a cada poema eu queria mergulhar um pouco mais fundo. 

   Recentemente, ao fazer uma visita à casa de minha mãe, entre uma conversa e outra, lembrando de alguns momentos do passado, ela recordou-se de que havia guardado o meu primeiro caderno de poemas. Evidentemente eu não poderia deixar de implorar-lhe para trazê-lo aos meus domínios. Ela justamente estava esperando o momento certo de devolvê-lo. O caderno, na verdade, um livro ata, de duzentas folhas, está repleto de incontáveis poemas e pequenos textos, uma verdadeira pérola. Alguns dos poemas daquele livro foram reescritos em meus livros, outros ainda não foram retrabalhados. Desejo ainda extrair dali outras pepitas preciosas. 

   A literatura é o grande amor da minha vida e sempre será. Escrever é como respirar e comer, não consigo viver sem. Tenho alguns títulos publicados no Clube de Autores. Entre Romances, Contos, poemas, uma novela policial. Na gaveta tenho dois romances, um livro de contos e um de poemas. Todos esperando o momento certo de serem publicados. 

   Também em curso de escrita está a minha segunda novela. Talvez eu o termine ainda esse ano, não tenho pressa na escrita. Já tive muita pressa e afobamento no passado, hoje sei o quão essencial é saber usar o tempo a seu favor. A gaveta e o tempo são necessários para mim. Assim como o vinho ganha qualidade com o tempo, também as palavras.



( T. P )


segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Mini conto 4

 CONSIDERAÇÕES. 


É algo estranho, difícil de explicar, no exato instante em que estamos juntos, a impressão é de estarmos distantes um do outro; quanto mais nos conhecemos, menos conhecidos somos. É explicar o inexplicável, é entender o não entendido. O amor é tudo, um pouco mais do que tudo, e ainda não alcança uma gota do que realmente é. Por tal motivo não aconselho aos corações juvenis a paixão nem o amor, talvez amar seja correr riscos desnecessários, talvez esse sentimento seja cruel e impiedoso, esmagador de todo e qualquer coração que a ele se dedique. É algo estranho, insano, insensato, a loucura do prazer absoluto. A vida calma e tranquila que pensamos ter, inverso de uma existência agitada, termina quando começamos a amar, quando finalmente nos deparamos com o amor. Esse amor cujos olhos encontram-se eternamente vendados, deverá, mesmo sem a sua visão, encontrar rumos para os seus desejos? Talvez o amor seja uma fumaça que se eleva com o vapor dos suspiros, ou seja, um oceano nutrido de lágrimas dos amores proibidos. O que mais é o amor? Diga-me você. O que é o amor? Talvez a mais discreta das loucuras, um fel que sufoca, ou doçura que preserva. Sei apenas que este sentimento é coisa estranha, da qual ninguém compreende, mesmo pensando compreender tudo não o alcança. Somos alvos fáceis das flechas envenenadas do amor, guardadas por um cupido mórbido, sombrio e sem razão. As grandes emoções oriundas da alegria ou dor, exerce tal peso sobre nós ao ponto de nos esmagar no primeiro momento, paralisando todas as nossas forças no mesmo instante. 

São apenas considerações deste poeta sem nome. 

Este décimo sexto dia foi calmo, o beija-flor, no entanto, aquele mesmo de outrora, retornou no primeiro luzir da aurora, junto a mim, está. Escrevo o que a alma dita no silêncio da noite, e nos enigmas de cada dia, vou me revelando em cada linha ocultamente indiscreta. Não tenho muito a dizer, são apenas considerações. Lá está ela, vestida de preto, vestes curtas, seios fartos com o decote delineado a curva interna que se encontra e se espremem. As suas é de uma beleza indescritível, é jovem, bela, um beija-flor. Anita desfila sua beleza, os amigos de repartição a devoram com os olhos, é sempre assim, sempre a mesma coisa. Depois vêm a traição, a vítima escolhida, sexo, bebidas, esquecimento. No dia seguinte nada mais importa. Lembro-me de um tempo em que Anita era apenas minha, hoje, ela é de todos e de ninguém ao mesmo tempo. Lá está ela, a viúva negra, seduz suas vítimas, e após saboreá-las, e de devorá-las, as envenenam e a deixa morrer. De alguns nada restou, quanto a mim, sou apenas parte de seu passado, sou palavra jogada ao vento, considerações.


O ESPELHO.

                  Do lado de dentro o vento está rugindo furioso, saindo para o lado de fora pelas frestas da janela.            Do lado de ...