sábado, 10 de julho de 2021

Crônica de Domingo

 A MORTE DO RATO.



Lá estava eu, a caminho da redação. Emprego temporário, uma discreta revista no centro da cidade onde eu moro. Cidade essa que não sinto de mencionar.  Perdoe-me... 

Essa modesta moça, jovem jornalista, caminhava tranquilamente pelas ruas próximas ao centro do nosso rascunho de metrópole, e, entre uma e outra rua, eis que, de repente, surge um peculiar e asqueroso personagem, percorrendo livremente pelo canto de um velho muro. 

E lá estava ele, pequeno e ligeiro camundongo, em seu caminhar desatento pelo muro, entre um saco de lixo revirado e outro. Repentinamente, eis que surge um certo homem, sabe Deus de onde, desconhecido de mim, avistando o rato no canto do muro, logo apressou-se e correu atrás do bichinho até quase apanha-lo, estava o tal homem com um pedaço de pau em uma das mãos, sei lá onde aquele sujeito o conseguiu aquilo. Não havia mais ninguém na rua além de mim é o rato, no outro instante apareceu essa figura. Parei para observá-lo, pois via-se que suas intenções com o pequeno roedor não eram boas. Foi quando o homem acertou-o ao atirar o pedaço de pau, mirando certeira, golpeando-o na cabeça, esmagando-o no canto da parede ao ponto de ficar marcas de sangue. 

Fiquei horrorizada, pois mesmo depois de morto golpeou-o com a violência, por várias vezes, fiquei horrorizada com a violência empregada pelo moço. Não me contive e fui questioná-lo.

  - Ei... Moço... Oi...

  Parando o massacre olhou-me um pouco assustado, eu, mais ainda, pois somente naquele momento raciocinei no que eu estava fazendo. Eu, jovem donzela em uma rua pra lá de estranha, puxando assunto com um estranho muito do suspeito, mas, era tarde para voltar atrás. Continuei...

  - Ei moço... O que você está fazendo?

  O moço respondeu seco e direto.

  - Matando esse rato nojento.

  - E por qual motivo? 

  - Agora... E precisa de motivos... É um rato, simples assim, faz sujeiras, tem doenças, incomoda, é nojento, tem que morrer. Simples assim.

  Parei... Pensei...

  - Sério... Sério mesmo... Veja bem. Não que eu esteja defendendo o rato, que concordo que seja nojento, mas... O homem faz sujeiras por toda a natureza também, a séculos. Tem e transmite doenças mortais, quando não é a incubadora da própria doença para outros - a Covid- 19 fala por si - Incomoda o tempo todo. E mais... Criou armas, bomba atômica. Fez inúmeras guerras e está querendo outras mais... Será mesmo que o rato é o problema?

Logo imaginei alguma repreensão ou coisa pior. Estava já preparada para correr se fosse o caso. Para o meu espanto. Aquele homem não fez nada, não falou uma única sílaba. Apenas me olhou profundamente e depois saiu caminhando na direção contrária.

Eu continuei o meu caminho para o trabalho. 

Mesmo fazendo aquele trajeto outras vezes, nunca mais aquele moço apareceu. Eu não consigo me esquecer da cena e da morte do rato.

Não tenho a mínima ideia do que me fez lembrar da história. Nem do porquê escrevo-lá, talvez a falta de assunto, ou, assuntos paralelos correndo em minha memória. Sei lá...

Cronista que sou, não posso perder a oportunidade de relatar essa peculiaridade do meu dia a dia, nem mesmo quando ela surge tão desavisadamente.



( L. B )

domingo, 4 de julho de 2021

Crônica de Domingo.

 O JOÃO DE BARRO.



Vozes que gritam pelas ruas e avenidas, braços que se levantam, gesticulando freneticamente enquanto as bocas escancaradas falam e falam com voz de trovão. 

Cada dia que passa, é um dia a mais de ódio com um a mais para odiar e ser odiado. Estes mesmos, junto a outros correligionários, organizam as suas passeatas. São vozes que gritam palavras de desordem aos desordeiros pelas ruas e avenidas. "Ele 'é', sim, ele 'é' sim..." mas você sabe o significado dessa palavra aí? Perguntou o moço. 'Não faço ideia', respondeu o manifestante continuando a gritar sem saber o significado da palavra gritada. Enfurecia-se cada vez mais, parecia fora de si, ao pronunciar o nome dele logo em seguida de dizer que ele 'é'. 

Estes mesmos que, em outras ocasiões, quebraram, desrespeitando o que para outros é considerado sagrado. De fato não compreendo tais atitudes. De nenhum dos lados, aliás, nem dos que dizem que ele 'é', tampouco daquele que solta palavras e mais palavras sem pensar. Xingamentos, contra acusações, acusadores sem fundamentos. Enfim, esse país está mesmo uma baderna generalizada. Difícil é compreender onde começa um erro e termina o outro, de ver com quem de fato está com a verdade, uma vez que, ambos os lados dizem serem possuidores da dita, 'verdade'. Mas, eu pergunto... O que é a verdade?

A política é mesmo um negócio complicado de se entender. Defender esse ou aquele, não importa, você estará certo para uns e errado para outros, independente do lado que você estiver, foi assim, é assim é sempre será. Acho mesmo que a essência da política se perdeu pelo caminho. " Se é que ela um dia esteve no caminho da sua própria essência", no entanto, vou pensar que sim, que a verdadeira política ainda exista, sabe lá Deus onde. Enquanto isso, o circo está solto, homens e mulheres, massas de manipulação soltas por aí. Fazendo por fazer, defendendo sem saber, tendo sem merecer.

Agora eu... Estou mesmo preocupado com o João de Barro... Veja que o espertinho fez sua casa na árvore de frente de casa. Faz tanto tempo que não vejo um João de Barro. De repente, em meio a gritos e falas exaltadas, ameaças e xingamentos, mãos levantadas que gesticulam, bandeiras de cores quentes, multicoloridas, encontro ele, essa preciosidade da natureza, em plena selva de concreto. Enquanto homens estão preocupados com esse 'é' aquele cara lá, o João de Barro apenas observava a muvuca preocupando-se unicamente com sua casinha. Vou seguir o exemplo do João de Barro, é ficar na minha, quietinho da janela da minha casa de Barro, apenas observando o circo passar. 



( A.L )


domingo, 27 de junho de 2021

CRÔNICA DE DOMINGO.

 DIAS COMUNS...



Dias comuns... Sim, deveria ser dias comuns, como outrora foi. Mas, definitivamente não são meus amigos, e talvez jamais seja. 

Não estou sendo exagerado, tão pouco extremista, nada 'muito' disso, às vezes, apenas, entretanto, sempre costumo ver absurdos em lugares onde eles não existem, não estou sendo... Como vou dizer... Um teórico da conspiração ou qualquer coisa assim. Também não me considero um depressivo e melancólico, embora o dia pareça transcorrer dentro da sua, 'dita' normalidade, não está e nem é, pelo menos de um 'certo' tempo para cá. Vejam que a pandemia mudou nosso cotidiano drasticamente, de modo que, o anormal transformou-se em coisa corriqueira, normal. 

Antes desse vírus aparecer, quando víamos pessoas andando na rua de máscara no rosto, logo surgia aqueles comentários de qual terrível doença a pessoa poderia estar acometida. Hoje, após a Covid-19, é completamente estranho, quase agressivo ver pessoas sem máscaras em estabelecimentos comerciais, lojas, até mesmo nas ruas. Quando nos deparamos com tais indivíduos, 'desmascarados', é estranho. Eu mesmo me sinto estranho sem a máscara quando estou na rua ou em locais fechados, fica aquela sensação de que algo está errado na minha pessoa, como se me faltasse um membro do corpo ou qualquer coisa assim.

Quantas vezes estando de folga e tendo que ir a padaria, por exemplo, me esquecia de levar o dinheiro mas não de sair com a máscara. Houve ocasiões de quase entrar debaixo do chuveiro com ela. Esse é o novo anormal fazendo-se normal em nosso dia a dia.

Mas... Existe um luz no fim do túnel, eis que surgem, vacinas, diferentes marcas com o mesmo propósito protetivo. Claro que, haverá prós e contras. Haverá quem fale isso é aquilo, de que tal vacina é boa e a outra ruim. Toda essa falácia é normal dentro de um contexto de novidades e mudanças. Dificilmente algo novo é aceito logo de primeira. Concordo que haverá sim problemas com as vacinas, não descarto.  Porém, não vejo outra saída... Os governos deixaram uma única porta de escape... Vacina... É tomar ou correr o risco de ficar doente.

No meu trabalho várias pessoas tomaram a vacina, sessentões e cinquentões. E pode acreditar que até o presente momento nenhum deles virou jacaré - risos a parte -, só para descontrair. Um e outro que teve reações, ficou internado, quase foi, mas não foi dessa vez... Brincadeira... Não houve nenhum tipo de reação. Medo de tomar e claro que eu tenho, afinal, quem não tem medo que atire a primeira pedra. Para quem foi vítima do vírus duas vezes e sofreu barbaridades, e ficou com sequelas, não vejo problemas com a vacina. Independente de qual laboratório seja, já que tem que ser, que seja logo.

Espero ansioso por dias melhores, onde o normal seja normal de verdade, é que não tenhamos que conviver com esse fantasma invisível e máscaras no rosto. Também já não aguento mais ter que ficar esbarrando o tempo todo nesse assunto. Vez por outra estou falando sempre da mesma coisa em minhas crônicas. Rodeando sempre o assunto 'COVID'. Está na hora de dizer chega. 


O ESPELHO.

                  Do lado de dentro o vento está rugindo furioso, saindo para o lado de fora pelas frestas da janela.            Do lado de ...