domingo, 18 de abril de 2021

Crônica.

 



CHEIRO DE MORTE.


Cheiro de morte. 

Mas quem liga para isso? 

O cheiro de morte está em todos os lugares, em cada canto, em cada cidade, nos bairros, nas pequenas e grandes ruas, nas esquinas e praças. Não podemos esquecer dos parques e lugares turísticos, supermercados, nesses também há cheiro de morte...

Afinal, quem liga para isso?

Cheiro de morte.

No início houve certo incômodo por parte de alguns, transtorno pela possibilidade do corpo sem vida. Não era ainda a morte propriamente dita, no entanto, somente de imaginar tal possibilidade, havia aqueles que ficavam extremamente incomodados com ela, e ficavam desejosos em fazerem qualquer coisa para evitar a tragédia, que, já se insinuava uma tragédia anunciada.

Cheiro de morte.

Acha mesmo que eu estou exagerando?

De fato, a vida perdeu o seu valor, se é que ela teve algum dia. Basta você olhar para o noticiário, ou ler qualquer jornal. Da primeira morte noticiada para já estarmos beirando quatro mil diariamente, e a coisa não vai parar e nem cessar.  Ninguém parece preocupado com o cheiro da morte em cada um. De fato, as pessoas querem o quê eu não sei. Reclamam tanto para nada, distorcem as informações para seu próprio prazer, confundem o cheiro de morte com a fragrância de um perfume qualquer.

Cheiro de morte.

Do quê mesmo estão brincando?

A impressão que tenho é de que alguns estão brincando de roleta russa, mas, a arma nunca está apontada para o próprio nariz, é sim para o nariz dos outros. Infelizmente, no primeiro apertar do gatilho é sempre fatal. Trocam-se as armas, as munições, e a coisa continua rolando sem controle. Não há muito o que fazer. Na verdade, como diz uma amiga, não há mais nada a fazer. 

A locomotiva saiu dos trilhos faz tempo.

Cheiro de morte.

O que estão querendo?

Teorias da conspiração tem aos milhares, falando de um tudo, abrangendo quase todos. Todavia, para quê teorizar se estamos vendo ao vivo e a cores todas as conspirações colocadas em práticas. Querem sim reduzir a população mundial, e pelo visto estão empenhados e eficientes no ato de eliminação. 

Cheiro de mortes.

Quantas covas foram abertas?

É absurdo, porém, verdadeiro. A morte está pulando pela janela. Não há vagas nos cemitérios. Não há coveiros o suficiente para abrir tantos buracos. Faltam caixões, não há mais vagas nos crematórios. Acham que eu sou exagerada? Se não fizerem algo urgentemente, isso será apenas o começo.

Sim, cheiro de mortes.

Onde?

Em todos os lugares. 

Você não percebeu que este odor a cada dia fica cada vez mais forte. É assustadoramente real. Os anos que estamos vivendo ficaram marcados na história da humanidade, se, porventura, sobrar uma humanidade no futuro. Não creio que chegaremos muito longe, bastou um vírus para mostrar que não chegaremos a lugar nenhum. Não pela potência do vírus, não que ele seja um exterminador implacável... Não... Não é isso amigos... O problema sempre estará na nossa incapacidade de cuidarmos de nós mesmos.

O meu problema sou eu, a pandemia simplesmente mostrou que o meu maior inimigo será sempre eu mesma. Quando eu conseguir controlar e dominar o meu eu, então saberei que existe esperança. 

Eu sinto o cheiro de morte.

As minhas lágrimas são as suas também, não se enganem. A sua dor é a minha dor, quando um perde, significa que todos nós perdemos, não existem vencedores nesse macabro jogo.



( L. B )


domingo, 4 de abril de 2021

Crônica.

 



DIAS DE ISOLAMENTO.


   Estou de frente a minha máquina de escrever, uma remington 22, comprada anos atrás, sempre foi o meu desejo, desde a época da escola ter uma dessas belezuras. Claro que, pelo tempo de uso, ela não se encontra em seu melhor estado de conservação, no entanto, com um pouco de cuidado e paciência ao digitar, é possível fazê-la funcional. Geralmente escrevo minhas crônicas diretamente no celular, em um aplicativo de escrita que depois vai para o computador, mas hoje, devido a atual situação em que me encontro, resolvi escrever esse primeiro rascunho de ideia na máquina. 

   Acontece que, pela segunda vez neste ano, estou em quarentena e de afastamento médico do meu trabalho, por doze dias, com suspeita de estar com coronavírus. Eu não imaginava que fosse passar por toda essa angústia outra vez, fazer o quê, aqui estou eu… Isolado, o que me fez lembrar de certo livro...

Me sinto como o jovem tenente, Giovanni Drogo, aprisionando suas esperanças dia após dia no forte Bastiani. Me sinto como ele, uma vez prisioneiro em meu próprio quarto, escrevo essas perecíveis linhas, do alto do meu forte, tendo como companheira a solidão, e livros e mais livros como amigos. Vivo a vã esperança, assim como Drogo, de ter um grandioso acontecimento que me tire da monotonia, a dura realidade, é que nada acontece de novo nesse deserto. ( Belíssimo livro, Deserto dos Tártaros. Escrito por Dino Buzzati Traverso ). 

   Às vezes o meu coração é como o de um marinheiro em alto mar, sendo açoitado pelas turbulências águas, assim como o velho e o mar,  jogado de um lado para o outro, sem ter muito o que fazer. Olho para a janela atrás de mim, o dia já vai indo embora, a noite o alcança com seus longos braços. Eu permaneço aqui, já não sou mais o marinheiro, sou apenas o cronista desavisado, jogando palavras ao vento. Percebam que, nestes últimos dias, o medo escalou as muralhas de muitos corações, adentrou pela porta da frente, sem que o mesmo não percebesse, o coração só foi dar conta do perigo quando era tarde demais. 

   Sou o primeiro da lista.

   De frente a minha máquina de escrever está a Bíblia sagrada, " Bíblia de Jerusalém", presente que ganhei da minha mãe. Do meu lado esquerdo, figura-se em um guardanapo de papel com duas frutas, uma maçã e uma mexerica, que daqui a pouco vou degustar com todo o prazer. Mas, voltando à Bíblia, olhando-a aberta diante de mim, devo sem a menor sombra de dúvidas confiar na vontade soberana de Deus sem ter medo desse vírus. Mesmo porque, o meu medo não é em perecer devido a ele, mas perecer sem ter o meu nome escrito no livro da vida do Cordeiro. Sei que em Deus tenho algo maior e melhor, é que diante dele, todo o joelho dobrará naquele grande dia, assim sendo, termino esta crônica dizendo, ou melhor, reafirmando que, em Deus está toda esperança, nele unicamente. Temos medo, sim, afinal, somos humanos, é normal sentir medo, no entanto, a certeza da vitória é maior do que o medo.

   Deixo aqui registrado os meus sentimentos a todas as famílias do Brasil que não puderam sequer ter dado um funeral digno aos seus que partiram, os meus sinceros sentimentos, e que Deus conforte vossos corações. 


( T. P )

domingo, 28 de março de 2021

Crônica.

 


A MORTE É A ÚNICA CERTEZA DA VIDA.


O drama da vida humana consiste em seus desenfreados desejos carnais, a qual, por tantos ignorados, os levam ao desespero existencial de não saberem se encaixar no mundo em que se considera, um mundo cão. Os prazeres que regem a carne é uma constante negativa no duelo com espírito humano, é uma autêntica guerra em muitas mentes - não na minha - pois entendo que, devo alimentar aquele que mais me aprouver, e é claro que, a carne sacia a minha feminilidade caída muito mais do que o espírito abatido, mas não sou eu o foco, então, voltemos ao assunto proposto. 

   Desejo que todos igualmente alimentem o lado que mais lhes agradar, quer seja espírito, quer seja carne. Uma vez feito isso, há de se prevalecer quem estiver melhor cuidado. Sendo assim, minha carne, meu alimento, minha perdição, minha loucura, embora, haja entre os ditos espirituais, carnais muito bem disfarçados de benevolentes… Não exatamente disfarçados, mas, de tão caídos que se tornaram em seus pecados ocultos, que igualam-se aos carnais. Falando assim, nem me reconheço às vezes, eu, tão cheia de mim, idealista, sempre me negando a responder certos comentários. 

No entanto, a um pedido especial de meu amigo, também colunista e Jornalista desta página 'Alberto Lispector', fiz quase a contragosto esse breve adendo ao assunto corrido em uma mesa de café. Lembrando que tais ideias e perguntas não partiram da mente do 'Alberto', e sim a de nosso amigo e também escritor, dono da pagina, 'Tiago Pena'. Comentário feito, resposta dada e publicada. É o que eu acho, é me limito a isso… Não quero mais falar no assunto… 

Todavia, no tocante a vida humana neste presente momento, é completamente sem valor. Vivemos uma pandemia devastadora, que só fez mostrar o que há de pior em cada um de nós. Esse lado obscuro e melancólico sempre esteve presente em cada um, faz parte da nossa natureza caída, é praticamente impossível fugir dos fantasmas que criamos para o nosso próprio deleite. 

O circo de horrores está na cidade meu bem, trazendo consigo os espetáculos mais trágicos de todos os tempos. Não é o espetáculo em si que é o mais absurdo, e sim a multidão eufórica que o assiste. Homens e mulheres, fantoches, todos exercendo o seu inutil papel em uma sociedade podre, levada a crer que é o exemplo. Na verdade nunca existiu uma sociedade, comunidade, ou seja lá o que for, ideal é exemplar…  Somos todos levados pelos ventos da inquietação de nossos corações, de nunca estarmos satisfeitos com nada e nem com ninguém. Admitem. Isso é um fato, e o motivo não é o lugar é as coisas… O motivo foi e sempre será nós mesmos. Somos o fruto da carnalidade pecadora de Adão, assim nascemos, assim morreremos. O que acontece entre o nascimento e a morte é mero teatro. O desejo pelo pecado se esconde no olhar de religiosos disfarçados de bonzinhos, ao ver a bela jovem de roupas indecentes passar. Ele a deseja com tanto intensidade e fogo carnal que acaba negando para si mesmo a força da sua natureza humana caída. Meu amigo Alberto, Tiago… Em algum momento dessa breve vida, todos nós, cegamente, nos entregamos, de corpos e alma para o pecado que tanto desejamos. O que mais temíamos. Pode ser que eu esteja errada, sim… Posso incorrer no erro de pensar a vida dessa forma, mas essa sou eu, e não sei ser diferente, entretanto, na mesma proporção pode ser que eu esteja certa em tudo, afinal. A única certeza da vida é a morte.


( L. B )


O ESPELHO.

                  Do lado de dentro o vento está rugindo furioso, saindo para o lado de fora pelas frestas da janela.            Do lado de ...