domingo, 14 de março de 2021

CRÔNICA.

 








ROTINAS DO DIA A DIA.


A vida aqui parece seguir o seu ritmo de normalidade, no entanto, essa dita normalidade me parece confusa demais. As pessoas fazem sempre as mesmas coisas a passos lentos, no padrão da monotonia.
É tudo tão estranho aqui, mas, acabei aprendendo que, por vezes, a estranheza minha torna-se a normalidade do outro. Da primeira hora do dia à última, impressionantemente como muitos caem na mesmice de não perceber o óbvio.
Vejo pessoas caminhando pela calçada que não me enxergam ali parado na garagem, parecem tão despreocupadas, me atrevo a dizer que nenhuma delas tem problemas na vida… Não… Essas pessoas tão sorridentes parecem não ter preocupações.
Vidas vazias, isso sim, falta de Deus, a falsa aparência de profundidade, quando por certo, são apenas almas rasas e superficiais. Buscam o que não podem encontrar. Há muito o que observar, porém, pouquíssimo a encontrar.
Na maioria das vezes - para não dizer em quase todas elas - as pessoas estão despercebidas, hipnotizadas com os seus aparelhos nas mãos, a rolar o dedo para cima e para baixo, vendo o abismo com olhos cegos.
A vida parece mesmo seguir o seu ritmo de normalidade, porém, não segue, tudo é ilusão. Aqui as pessoas vivem em um teatro de sombras, de mentiras muito bem ensaiadas e repetidas, de tanto que, são confundidas com verdades.
Acabei notando como quase tudo e todos em minha cidade hoje se comportam de forma fragmentada… São variantes facetas obscuras de si mesmas. Alegres, tristes, falastrões, silenciosos, amigos, inimigos, sóbrios, beberrões… Fragmentados o dia inteiro. Todos em um único corpo.
Veja que o mundo transformou-se radicalmente na época da revolução industrial. Em nosso tempo vivemos outra grande revolução, pronta a eclodir, ainda mais devastadora que a primeira, estou falando da revolução tecnológica… No entanto, como disse certo sábio: " O veneno está na quantidade", sendo assim, quando bem usada é uma bênção. Como está sendo neste momento por mim no ofício que compete essa crônica.
Amo escrever, ter boas amizade, dividir os meus pensamentos com os outros… Como eu estava dizendo, essa revolução da tecnologia mudou a mente de homens sem Deus, que nestes novos tempos, entregam-se totalmente ao mundo digitalizado esquecendo do criador e da fé, e assim, a sua essência divina vai ficando obsoleta e esquecida. O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, todavia, o adversário, por séculos tem desfigurado no homem a imagem do seu criador, e olha que tem feito isso muito bem.
O mundo está mudando e a cada dia fica mais mudo e obscuro. Tendo olhos mas não veem… A verdade está diante de todos todos os olhares, muitos fingem que não o vê, fazem vista grossa às gritantes verdades e aberrações de uma era onde o absurdo passou a ser normal, e a verdade mentira.
São esses apenas vagos pensamentos de minha cabeça, observações do meu dia a dia transformadas em palavras.



( T.P )


domingo, 7 de março de 2021

CRÔNICA.

 



O IMPÉRIO DO CAOS.


   Deixe que a água bata na bunda, deixe que o caos impere, afinal, ninguém aprendeu e nunca vai aprender. Todos ignoram tudo o que aconteceu, tudo o que foi e está sendo dito, mesmo que por lábios mentirosos. Em outras oportunidades eu já havia dito que os seres humanos, pelas suas muitas atitudes, tornaram-se indignos do planeta. De certo modo, a natureza, purifica-se continuamente do que a contamina, e neste exato momento, o agente contaminante não é um vírus, e sim o próprio homem.

   Não sou o tipo feminista ferrenha, nada disso, sou apenas eu mesma com minhas ideias erradas demais para uma única mente.  É difícil compreender uma… Suposta humanidade tão desumana, que, na proporção que se tem, mais se quer ter. Por isso que desejo ardentemente que a água bata sim na bunda, não somente nela, mas que todo o corpo fique submergido. E que o caos do qual todos ignoram, ganhe a força necessária para engoli-los. Não sou trágica, sou apenas eu mesma.

    Deixe que a água bata na bunda até que suba cada vez mais ao ponto de cobrir o pescoço. Há momentos em que o choque de realidade se faz necessário, em que a completa escuridão tem o seu devido espaço, para que esses corpos ambulantes vagando a esmo, percebam o valor da luz. O homem aprende mais com a dor, o prazer é um professor descomprometido, enquanto a dor, ensina com toda austeridade. Se olharmos para história do homem é o homem ao longo da história, logo perceberemos sua incompetência quando se trata de aprender com os erros… Os repetimos o tempo todo e todo o tempo.

   Erros e mais erros… São como frutas maduras caídas no chão. As vemos sem enxergá-las, até o momento em que as pisamos, então, com a maior displicência do mundo dizemos: " Oh! Eu não vi essa fruta no chão, sujou o meu pé". É claro que é uma mentira. Enxergamos com clareza todas as frutas podres em nosso caminho, bem como, todos os erros que cometemos. E fingimos que não sabemos de nada quando os cometemos por vontade própria… É por esse e outros motivos que eu não acredito na dita humanidade.

   Então, o melhor a se fazer é deixar a água bater na bunda até ao ponto de sermos submergidos… E que todos sejam submergidos pelo oceano da indiferença, que sejam consumidos pelas águas do esquecimento. Que cada um viva livremente a sua escolha, e que a escolha de cada um seja intensa e duradoura. Afinal, vivemos em uma sociedade em que não é mais a água que bate na bunda, são as próprias bundas batendo na água.


( L.B )


domingo, 28 de fevereiro de 2021

CRÔNICA.

 


A MERCÊ DA SORTE.


É preciso ter coragem…

Que Brasil é esse? 

A política é um circo de horrores, nada menos do que isso senhores e senhoras. Estamos cercados de políticos corruptos, ladrões disfarçados de mocinhos, se fazendo de bons samaritanos,  quando, na verdade, são lobos devoradores. Fazem os seus discursos ensaiados, ludibriam o povo com promessas vazias, colocam-se como senhores da situação. Cada um conta a sua mentira, tantas vezes quanto puderem, até que, de tanto repetir, tais mentiras são vistas como verdade.

É preciso ter coragem…

Que mundo é esse?

É tanta mentira que me fez lembrar de uma fábula, que fala justamente sobre a verdade é a mentira. Diz assim:


   Certa vez, a Mentira e a Verdade se encontraram.

   A Mentira, dirigindo-se à Verdade, disse-lhe:

   - "Bom dia, dona Verdade!"

   Zelosa de seu caráter, a Verdade, ouvindo tal saudação, foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, não havia nuvens de chuva; os pássaros cantavam; não havia cheiro de fumaça na mata; tudo parecia perfeito.

   Tendo se assegurado de que realmente era um bom dia, respondeu:

- "Bom dia, dona Mentira!"

- "Está muito calor hoje, não é mesmo", disse a Mentira.

Realmente o dia estava quente demais. Desse modo, vendo que a mentira estava sendo sincera, começou a relaxar, a "baixar a guarda". Por qual razão haveria de desconfiar, se a mentira parecia tão cordial e "verdadeira"?

   Diante do calor insuportável, a Mentira, num gesto de aparente amizade, convidou a Verdade para juntas se banharem no rio.

Como não havia mais ninguém por perto, a Mentira despiu-se de suas vestes, pulou na água e, dirigindo-se à Verdade, disse-lhe, insistentemente:

- "Vem, dona Verdade, a água está uma delícia, simplesmente maravilhosa."

   O convite parecia irrecusável. Assim sendo, dona Verdade, sem duvidar da mentira, despiu-se de suas vestes, pulou na água e deu um bom mergulho.

   Ao ver que a Verdade havia saltado na água, rapidamente a Mentira pulou para fora, em segundos vestiu-se com as roupas da Verdade que estavam à margem e se mandou sorrateira. Tendo suas roupas furtadas, a Verdade saiu da água e, por sua vez - ciosa de sua reputação -, recusou-se a vestir-se com as roupas da Mentira, deixadas para trás. Certa de sua pureza e inocência, nada tendo do que se envergonhar e não tendo outra opção que lhe fosse coerente, saiu nua a caminhar na rua. Desde então, aos olhos das pessoas, ficou mais fácil aceitar a mentira vestida com as roupas da Verdade do que aceitar a Verdade nua e crua.


   É uma belíssima reflexão, justamente o que acontece no alto escalão de nossa política. Um bando de mentirosos vestidos de verdade, enquanto nos bastidores, a verdade caminha nua e crua na face envergonhada daqueles que realmente desejam fazer algo de bom. Não estou defendendo 'esse' ou 'aquele', direita ou esquerda, pouco me importa o lado, se é debaixo para cima ou de cima para baixo. Não importa a sigla do partido, o que importa de verdade, é que todos os políticos eleitos legitimamente, lá fora empossados para fazerem o melhor para a nação, não para si mesmo é seus egos… Mas, como nada nesse país funciona de 'Verdade',, ficamos por aqui, aguardando as cenas dos próximos capítulos, a mercê da própria sorte.


( A.L )


O ESPELHO.

                  Do lado de dentro o vento está rugindo furioso, saindo para o lado de fora pelas frestas da janela.            Do lado de ...